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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cada coisa, em seu lugar, até a hora de mudar.


            Da Memória, que cada dia insiste em guardar menos coisas, já fugiu-me o nome da persona em questão, mas apostaria as fichas que era Antônio Cândido, então fica assim, o fato é que tinha ele tantas peças em casa, obviamente recordações de viagens, que certa vez ouviu a seguinte pergunta de um jornalista: São tantas coisas chamam a atenção que se de repente ocorresse um incêndio e o senhor pudesse tirar apenas uma coisa daqui, o que o senhor tiraria? Ele, num esboço de sorriso e com calma plena, olhou ao redor, olhou o entrevistador e respondeu sereno: _O fogo!

            Olhando meus objetos, também em parte “recuerdos” de viagens, cerâmicas na maioria, penso, de qual poderia gostar mais? Qual salvaria? E não há resposta a dar, cada qual tem uma história, um lugar, um momento vinculado a ele. Traz consigo sua origem, Teresina, Sevilha, Bonito, Lisboa... E as recordações do momento da compra, da escolha, da companhia, os presentes trazem com eles aquele que os ofertou. O carinho, a lembrança, a presença da pessoa, que algumas vezes partiu, ou já não é mais quem apreciávamos, mas que naquela hora era então tão querido e próximo.
            Não é necessário dizer que minha casa é uma miscelânea de coisas e cores, as pedras que cato aqui, ali, acolá e as vou juntando talvez por ser louco de pedra. Um vaso ou pote antigo que comprei em algum bazar e que para ele invento estórias, que pertenceu a vovó Lili, que não era minha avó, a compoteira que foi de tia Margarida, cujo nome nunca foi de tia alguma, e assim me entretenho e brinco, comigo mesmo, pois se alguém elogia tal louça digo: comprei no bazar, as histórias e estórias inventadas são minhas, não precisam ir além.
E assim às vezes dói um pouquinho pensar o que será feito deles, quando eu já não os possuir, quando não possuir um corpo ainda que os possua e não possa tomar-lhes conta. Objetos, pedras, plantas, discos e livros... Para onde vão? Difícil pensar que alguém gostaria deles e se importasse em mantê-los. 
Enquanto esse momento não vem, eu os curto, substituo, guardando alguns para meses depois encontrá-los e redescobri-los, admirando-os novamente com olhar de novidade. Afinal a casa é o lugar onde passamos maior parte do tempo depois do trabalho, então que seja confortável, aconchegante e bonita de acordo com nosso gosto. Nunca entendi gente que contrata um decorador que lhes impõe um gosto da moda, também estranho muitas vezes casas muito arrumadas, como se fossem um cenário montado para um editorial de revista. Sem personalidade, sem nada absolutamente fora do lugar.
E assim em casa muitas vezes o tapete nada tem a ver com a cortina, que não orna com almofadas, que não dialoga com os quadros, mas tudo tem sua história particular, intransferível, e se o Feng Shui não foi usado ali, as lembranças, o carinho e o gosto puramente pessoal se encarregam de tornar o ambiente agradável, ao menos para mim. É o que importa.

Fotos: Roberta, Objetos de adorno de casa. Em matéria que fez comigo para o Blog: arquitetogratis.blogspot.com.br 

4 comentários:

  1. Eu sou meio minimalista, mas gosto das coisas que tenho, ainda mais das que ganho. De apreciá-las, tocá-las, tê-las, sabe-las.
    Não sou muito de trocar de lugar, não tenho muito espaço, assim como não tenho muitas coisas, mas também gostaria de sabê-las cuidadas se eu não mais as tiver (ou elas a mim).

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  2. Eba, sua casa é uma delicia de estar, não tenho muitas coisas não. Tenho uma boneca Baiana que um lado é baiana e o outro lado a roupa muda. Gosto muita dela. E casa é nosso espaço interior também. Fico só preocupada com meus livros é o que mais curto.
    Bem grande beijo

    carminha

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  3. Sempre é bom darmos uma revigorada no ambiente.Por vezes,eu e minha mãe damos um 'up'no apê..Trocamos tudo de lugar.Duas loucas praticamente.Eu sou metida a decoradora,mas sei que por muitas vezes,tá nada com nada.rs
    Sempre que posso estou comprando um mimo pro lar.
    É nosso cantinho,nosso espaço,tem que ser bem cuidado.A casa é uma extensão da gente,é o nosso espelho.

    Beijão,Djair!Dani.

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  4. Pegando de gancho uma parte do comentário da Danielle "A casa é uma extensão da gente". Então minha casa é uma zona rs. Eu sou bagunçado e o mais interessante é que me acho em minha bagunça, rs. Eu gosto de (coisas) carrinhos (sempre que posso estou comprando os Hot Wheels), tô véio eu sei, mas eu gosto. Bonecos pequenos da turma do Chaves, esses dias vi uma coleção com os bonecos do Tom & Jerry, mas tava sem grana,rs. Eu gosto, por menos espaço que eu tenha, não dá pra decorar do jeito que eu queria, mas sempre há a possibilidade, uma coisa aqui, outra ali... Agora os discos, revistas, dvds, cds, VHSs, esses eu penso seriamente que destino terá. Será que quem tiver aqui depois que eu partir vai chamar o caminhão Cata Bagulho, ou vão jogar na primeira caçamba? Seja lá o que for, se eu não gostar volto pra puxar o pé e encher o saco a noite hahahah, minha risada maléfica uahauhauhuahuaha

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