Curta a página no facebook

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Em nome do pai.

Dia destes, Chico Terto me perguntou se já tinha escrito sobre os pais que colocavam seus nomes nos filhos e depois esses viravam “Júnior” ou “Fulano Filho”.
Não, não tinha escrito até então, embora já o tivesse comentado em mesas de boteco, e sempre que me era apresentado alguém com o apóstrofo, ou que era citado em alguma conversa: ‘Sicrano Filho’, eu dizia meio que a brincar: “Filho de quem?”
Meu Primo Raul de Souza Júnior sempre foi o Juninho, já Olavo Filho, sempre foi Olavo filho, até por existirem, além do Olavo pai, também Olavo Neto e Olavo Sobrinho em sua família.
Terceiro, que conheci assim, achava que a alcunha se tratava de algum apelido, quem sabe vindo de alguma competição em que tivesse ficado com tal colocação. Mas não, era mesmo seu nome, por ocupar a posição terciária enquanto filho, onde os dois antecessores também tinham o mesmo do pai; assim os irmãos mais novos terminavam respectivamente em Primeiro e Segundo. O que é justificado pela beleza do prenome do pai: “Arundo”!
            Talvez os pais tentem imortalizar-se através da perpetuação de seu nome, mas e se os filhos crescem e muitas vezes brigam com os pais e passam a detestar ter o nome daquele?
Acho bonito famílias em que se repetem nomes, como forma de homenagear seus membros, mas para isso é necessário que realmente haja amor e respeito entre eles. Por sua vez não vejo sentido na moda de tios e avós serem padrinhos de netos e sobrinhos; se já são tios, se já são avós, nada os tirará deste papel. Sempre acreditei que padrinho deve ser alguém que não seja parente, para assim tornar-se. Mas enfim, vai que o casal não tenha amigos em quem realmente confiem, ou por quem realmente sintam uma afeição tão profunda... Bem, esta é outra questão, voltemos aos nomes.
           No livro máximo cristão já lemos ou ouvimos dizer: “Simão, filho de Jonas”. Usava-se dizer o nome do pai, como uma referência para identificar de que família se vinha. No interior do país ainda se ouve: “É filho de quem?”, como se identificando a família se saiba a procedência, se a pessoa é boa, etc., mais ou menos como se diz que as pamonhas são de Piracicaba, embora via diversas reportagens há muito se sabe que naquela cidade não se produz pamonha. Mas talvez daí venha o hábito de colocar o Filho ou Júnior, talvez um desejo de perpetuar suas qualidades, seu caráter, o que a bem da verdade, pode só ao dono do nome em questão parecer merecedor de alguma continuidade.
Mas a quantidade de Pedro Júnior, e Chico Filho, é tão grande, que em alguns casos para identificá-los vem em auxílio o nome da mãe: Chico Filho, o de dona Maroca...
.            Athaíde detestava o nome, que lhe foi dado em homenagem a um namorado da tia, que esperavam casar-se com ela. Ele a engravidou e caiu na chapada, sumindo para sempre do convívio da família e deixando apenas o nome, àquele que o detestava. Mas tivesse o tal casado com ela antes, ele poderia ter virado Athaíde Sobrinho, o que possivelmente ele detestasse ainda mais. Afinal, não dá a ideia também, a quem tem esses nomes, de que ELE não é alguém, mas apenas uma espécie de clone do outro? Ainda que se vanglorie de ser filho daquele que é?
             Caetano Veloso em “Língua” fala a respeito de nomes: “Adoro nomes, nomes em ã de coisas como rã e ímã, nomes de nomes, como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e Maria da Fé.” Realmente alguns nomes, em geral não cópias dos pais, são extremamente sonoros, inusitados. O de Glauco Mattoso veio pelo glaucoma do qual trazia já ao nascer, mas no caso da ex-senhora Lulu Santos: “Scarlet Moon” deve ser no mínimo um saco, ficar a soletrar a cada vez que tem que dar o nome quando vai preencher algum formulário. E por mais que ela possa gostar do nome “diferenciado” é improvável que o desse a uma descendente e tivéssemos aí: “Scarlet Moon de Chevalier Filha”. Já uma conhecida de tempos atrás, à época dizia que sua cria chamar-se-ia: “Valéria Filha”. Talvez bravata feminina, mas nem por isso interessante, já que o comum é os pais darem seus nomes aos filhos e não as mães, pelo menos por aqui onde o patriarcado ainda é forte. Mas não deixa de ser inusitado e engraçado imaginar que o pai possa dar ao filho seu nome, vangloriar-se de sua macheza e sendo preconceituoso veja depois o Pedro Filho (que fique claro é apenas um exemplo e poderia ser outro nome qualquer) virar: Pietra Rouge, uma drag de sucesso!
 
Foto: Djair - Detalhe de uma das inúmeras colunas do Mosteiro dos Jerônimos - Lisboa - Portugal.

7 comentários:

  1. Meu pai se chama Hélio,e reza a lenda que eu me chamaria Hélia ou Hélida..Graças ao bom Deus que minha mãe mudou de ideia.Eu penso que isso é estranho.Cada um é cada um..Somos seres únicos,dotados de uma identidade;não penso ser muito criativo repetir nomes ao bel prazer dos pais,rs.Já,temos maus exemplos de pais que colocam cada nome esquisito nos filhos,né?Vamos ser mais criativos e menos egoístas?Vamos!

    Beijão,Dja!Dani.

    ResponderExcluir
  2. Otimo texto. Na Russia se diz "Ibrahimovich" ao filho do Ibrahim, e "Pavlovna" à filha do Pavlov. No México as vezes se usa os numeros romanos (Ex. Taibo II, grande escritor). O "Junior" denota a americanização da cultura brasileira. Este é um assunto muito interessante...
    Chico Terto

    ResponderExcluir

  3. Em termos de pesquisa, a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – diz que a referência deve ser feita utilizando-se o último sobrenome seguido do Júnior ou Filho ou Neto... O que salva do engano em alguns casos se o último sobrenome seja um Agrobellim. O José Agrobelim Filho já vira: “AGROBELIM FILHO, J.” Por sua vez, um nome mais comum, José da Silva Filho fica: SILVA FILHO, J. O que se jogado no Google, por exemplo, em cerca de 0,27 segundos nos trará: 164.000 resultados.

    ResponderExcluir
  4. Casos interessantes são os dos nomes inventados com parte do nome da mãe e parte do nome do pai. Eleovaldo, filho de Eleonor e Osvaldo. Francismar, filho de Francisca e Márcio. Martinália, filha de Martinho da Vila e ...
    Abraço,
    Luiz Otávio Pereira

    ResponderExcluir
  5. Hummm, quem tem um nome fruto de erro de datilografia não pode nem pensar em transmiti-lo a alguém. rsrsrs
    Em todo caso, nem nome, nem filhos... Sobre este solodeixarei apenas pegadas, para serem apagadas.
    Luciqno

    ResponderExcluir
  6. Affffff meu nome seria Marília ai meu finado pai pôs Carmem, pasme em homenagem a primeira mulher dele que morreu do coração.
    Questionei minha mãe é filha ele quisssssss e eu carrego até hoje.

    Abraços Carminha

    ResponderExcluir
  7. Adorei o texto e dentro desta miscelânia de nomes escolhidos pelos pais, me veio a minha própria história, eles resolveram colocar o nome dos filhos todos começando por "F". Meus irmâos: Fernando, Fernanda e eu, Claudia, por um desvio de percurso do destino (risos). Ufa!!! Graças a Deus o nome que seria dado a mim é melhor nem comentar. Quanto ao meu filho posso ser muito, mais criativa já que o primeiro deles é um gato e o nome escolhido foi Acerola e se houver um irmão o nome poderá ser Escarola. Show né.

    ResponderExcluir