Curta a página no facebook

quarta-feira, 21 de março de 2012

Vamos almoçar?

           O texto da semana veio da sugestão da Alini, que me enviou por mensagem, primeira vez que me pedem para escrever sobre um assunto. Bem, fiquei orgulhoso, claro, e espero corresponder com um texto interessante, o que nem sempre é fácil de conseguir.
            Mas, vamos lá, já dizia Alini na mensagem: “Sabe quando as pessoas não querem ir com alguém mas não acha um jeito de falar ou fugir e fica tentando enrolar ou empurrar a pessoa pra ir com outras pessoas e no fim acaba chamando a pessoa por obrigação ou pra evitar maiores constrangimentos”. Bem...

            Ah... A hora do almoço... Deveria ser sagrada... Deveria ser um momento agradável de comunhão, de refazimento, mas... Ao mais das vezes não é... Muitas vezes é momento até de irritação, tanto faz seja na copa da empresa ou em restaurante próximo. Às vezes, à hora de sair, você quer ficar só, comer sua refeição em paz, pensar na morte da bezerra ou em criação de galinhas, fugir para longe desse insensato mundo, ainda que apenas em pensamento, e levanta e pensa... Ah. Acho que vou no vegetariano, ou... Ah, hoje vou comer  só um lanche... E... Eis que “de repente, não mais que de repente, do riso faz-se o pranto”, como diria Vinicíus, lá vem... A pessoa mais inoportuna, aquela que sempre vai te contar a última sobre o fulano, sobre o cicrano, sobre o que o chefe disse sobre alguém, sobre o que alguém fez, ou falar de trabalho o tempo todo, e sorrindo (incrível como são sorridentes) vai te perguntar: “Vai almoçar? Vai onde?” E você meio indeciso, vai responder: “Vou...” Pronto, lascou! Como diz minha mãe: "danou-se nêga do doce!” Ela vai junto, e se prepare, ela vai falar de trabalho o tempo todo. É por isso que já tenho respostas prontos do tipo; vou ao banco, se der depois eu como alguma coisa. Vale correio, vale fazer troca em shopping, desde que este não seja muito perto, senão... Lá tem praça de alimentação e ai... a estratégia já era...

            Também já fui direto muitas vezes: Só vou se você não falar em trabalho, nem em ninguém do trabalho. Promessa feita é promessa quebrada. E de repente lá vem o assunto. Uma vez falei: “Eu não precisava saber disto, eu estava tão bem!” Constrangimento à mesa... Mas se alguém vem me contar coisas desagradáveis a mesa, porque não posso constrangê-la? O ponto máximo que cheguei foi: “Ok, se você falar de trabalho, você paga meu almoço, se falar duas vezes paga o almoço e a sobremesa, se falar de novo paga o café depois lá no café tal...” Nesse dia nada de ouvir sobre o trabalho! Yesss!!!!

            E se o almoço é na copa? Tem gente capaz de vir te chamar para uma questão de trabalho... Ou vem tirar dúvida, ou fica conversando sobre como deveria ser tal ou qual procedimento, às vezes em graves e agudos bem acima dos decibéis normais. Uma vez reclamei do assunto e teve gente que lá estava, e nem era horário de almoço deste, que apenas discutia ocupando um lugar vago. E se levantou pisando forte...

            E se você chega e tem justamente quem você não quer encontrar? Dr. Smith e Hardy a hiena me emprestem seus bordões: “Oh céus, oh, dia, oh dor...” Há algumas saídas, comer o mais depressa possível, deixar a marmita no microondas e sair para lavar as mãos e esquecer de voltar... Sempre te interrompem no caminho, não é mesmo? Tomar um café e sair, colocando a marmita na geladeira (nesse caso, só para quem não a colocou antes). Conheço gente que esquenta e diz: "Dá licença vou comer na minha sala." O problema é que é a mesma pessoa que sempre quer fazer festinhas e comemorações... tem algo errado aí, ou só eu que acho?

            Tem gente que estranhamente quando vai almoçar com chefias, vai no restaurante mais caro, depois vai tomar um café expresso, torta, etc... E quando vai com você nunca tem dinheiro... estranho, muito estranho...

            Tem aqueles que você dá de cara quando entra num restaurante e chama pra sentar com eles, ai, não adianta, não é isca, é tarrafa! Ou como eu você diz que hoje não será uma boa companhia, ou como eu muitas vezes também o faço, senta, come sem alegria e oferece o sacrifício em desagravo aos pecados cometidos pela humanidade. “Mea culpa, mea culpa, minha tão grande culpa, minha máxima culpa.”

            Ah, mas nem tudo é o vale de lágrimas, tem gente legal com quem é bom almoçar, e que em geral compartilha o sentimento de não querer almoçar com as figuras carimbadas. Geralmente são aqueles com quem se faz happy hours, com quem se dá risada, e que você adiciona em suas redes sociais.

            Bem, o texto poderia ir bem adiante, e talvez o assunto seja retomado, ou como acontece a mais das vezes, lembre coisas que deveria ter mencionado e na hora não me veio... Mas... Já é hora do almoço, lá vou eu... Que Deus tenha piedade! E pra você: Bom apetite!


Foto: Arundo Nunes Terceiro - Almoço em casa

17 comentários:

  1. Oi Dja,

    Mais do que correspondeu e nem precisava fazer a citação, apenas compartilhei uma cena que presenciei em forma de sugestão para texto porque tinha certeza que teria bons casos para contar.

    E adorei a forma como finalizou, especialmente o penúltimo parágrafo quando fala de pessoas legais com que gostamos de almoçar e com quem compartilhamos nossos gostos, opiniões e até pensamentos nas redes sociais.

    Beijo,
    Alini

    ResponderExcluir
  2. My god!!! É td isso e muito mais. Dependendo de da pessoa q faz o convite, a saia é justa rsrsrs

    Gina Guimaraes

    ResponderExcluir
  3. Já me aconteceu, mas eu disse que queria ficar sozinha pra resolver umas questões comigo mesma, que estava num momento não muito bom...acho que a pessoa não ficou melindrada (era uma colega muito da chata...affff!).
    abraço

    Tereza Bolico

    ResponderExcluir
  4. Durante a semana refiro almoçar sozinha, o tempo de almoço é curto, não dá para ficar conversando e comendo ao mesmo tempo. Além do mais,
    eu escolho o restaurante. Mas no fim de semana com amigos, família é tudo de bom! Ra

    ResponderExcluir
  5. O fato de falarem de trabalho no almoço me fez lembrar meus tempos de GM. Lá, se alguém começava a falar de trabalhor, discretamente um a um, todos colocavam os óculos de segurança, luvas,... até o chato se dar conta.
    Já a saia justa de alguém nos chamar (ou se oferecer) para almoçarmos juntos, ou pior, nos chama para sentar a mesa.... prefiro nem falar.

    ResponderExcluir
  6. Menininho
    É pensar sempre que esse tipo de situação nunca aconteça, mas se acontecer deixe a pessoa falando e como diz o ditado "entrou por um ouvido e saiu pelo outro"
    A questão é degustar a comida e ser feliz
    bjs
    MENININHO

    ResponderExcluir
  7. Meu almoço é vapt e vupt;não como em restaurante e não tenho costume de pagar nada pra ninguém,quem quiser que pague pra mim(e pagam,kkkkkkkkkkk).
    Gostaria de poder sentar à mesa com a família e almoçar,mas os horários não se encontram;como eu não janto,só domingo mesmo que almoço descentemente como deveria ser todos os dias.
    Beijão,Djair!Dani.

    ResponderExcluir
  8. PERFEITO .... pra mim meu almoço e sempre SAGRADO como disse o começo do texto amei djair ...como sempreee ...mestre em tudo que escreve ....obrigadimmmm=]

    ALAN COSTA

    ResponderExcluir
  9. Cara demais, simples objetivo e no ponto da ferida vc disse o que sempre quis dizer e não pude!

    ResponderExcluir
  10. Ri de não me aguentar mais, Djair! kkkkkkkkkkkkkk

    Cara, você é muuuuuuuuuuuuito azarado na hora do almoço!!!! (OU seria eu sortuda? rs)
    Olha, não aconteceu comigo nem a milionésima parte do que aconteceu contigo na hora de qualquer refeição...
    Bem, se acontecesse comigo alguma coisa assim tão chata, optaria em ser um tanto sincera (menos com chefe, porque perder emprego ninguém merece! rs) e sairia, na maior cara-de-pau, perto de gente que não gosto de almoçar junto... Se me perguntassem alguma coisa, alegaria pressa! (Faça-me o favor! Adoro me alimentar em paz!...)
    No café-da-manhã é que, com um pouco mais de frequência, acontece de surgirem criaturas me chamando no portão (não sei por que esse horário é mais atraente para chamamentos!), mas nada que tenha me traumatizado!...rs

    Belíssimo artigo! Adorei lê-lo! (Ahá, você gosta que te mandem temas? Qualquer hora vou te enviar um! rsrsrs)

    Abração da Mary:)

    ResponderExcluir
  11. Djair... adorei seu texto! Meu amigo, eu trabalho com treinamento e desenvolvimento de pessoas. Já deu pra sentir que muita gente quer almoçar comigo... e todos figurinhas carimbadas! Falar de trabalho eu encaro, pego o sujeito no seu ponto fraco e logo ele mesmo muda o rumo da prosa....heheheh
    Agora encarar o eterno sofredor só não é pior que encarar o perseguido. Seeu te contasse cada história que já passou pelas minhas horas de almoço, você teria indigestão só de ouvir!
    Mas... faz parte do meu trabalho também "suportar" estas poucas horas de suplício....heheheheh
    Mas eu desenvolvi uma técnica que é me desligar da pessoa... é como se eu abaixasse o volume e só ouvisse a boca se movimentar... fica até divertido! Aí quando ela para e me pergunta - Tá entendendo? Minha resposta... Claro... tim tim por tim tim! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    Beijo no coração

    ResponderExcluir
  12. Djair, Primeiramente tenho que parabenizá-lo por mais um texto maravilhoso. Isso é uma coisa que temos que conviver quase que diariamente, mas existem também aquelas pessoas que vc conhece a anos que tenta disfarçar que tem um sentimento de amizade por vc e aí vc percebe que não passa de mais um falso que passou em sua vida (risos). É isso aí amigo o jeito é nos esquivarmos desse tipo de gente. OBS: Já te pedi um texto sim "Loucos por Coxinhas", lembra (mais risos).

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, mas esse tipo que almoça conosco e na volta se enfia na sala da chefia, falando mal, e mesmo inventando estórias, por ter um complexo de inferioridade tão grande que tem que denegrir a tudo e a todos para se sentir um pouco melhor, esses não merecem uma linha do meu texto.

      Excluir
  13. Dja, a parte do texto que mais me identifiquei foi: "Ah, mas nem tudo é o vale de lágrimas, tem gente legal com quem é bom almoçar, e que em geral compartilha o sentimento de não querer almoçar com as figuras carimbadas. Geralmente são aqueles com quem se faz happy hours, com quem se dá risada, e que você adiciona em suas redes sociais. " Só espero que seja recíproco né??? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Juliana Shimura

    ResponderExcluir
  14. Ola Djair... Sobre essa história de almoçar no local de serviço, eu tenho uma dúvida. Quando eu levar uma sobremesa p comer no meu serviço tenho obrigatoriamente que dividir com meus colegas de trabalho, mesmo que nao dê para todos? Essa dúvida me ocorreu porque outro dia almocei como uma amiga do meu trabalho, como de costume, so que nesse dia nos duas ganhamos um potinho de sorvete para comer depois do almoço e uma colega outra colega de trabalho que nao almoça lá chegou e ja foi gritando na porta; "Eu queroo!!!", respondi p ela pegar ne...ai a outra que estava sentada do lado de fora que também nao almoça no serviço ja entrou na cozinha perguntando quem tinha comprado, eu nao achei que deveria dar detalhes, ja que acho essa colega mto abelhuda, depois ela saiu indignada por eu nao responder quem deu o sorvete p nos achou ruim pq nao oferecemos p ela. Por isso gostaria de ouvir uma opinião de alguem que nao esta ligado ao fato. Na minha visao nao acho que fiz errado era pouco p cada uma, e nao chamei ninguem p comer, me sinto no meu horario de almoço particular e nao coletivo acho que o que eu como nao desrespeita a ninguem por mais que seja um ambiente de trabalho. Agora se fosse muito e desse p todo mundo claro que eu iria repartir chamar todo mundo e falar que tinha sorvete na geladeira que quem quisesse podia ir la pegar. Nao sei me dê uma luz! Sera que estou pensando errado? Obrigada!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. KKKKKKKKKKKk Gigi, não acho que fez errado não se eu levo uma sobremesa, bolo, ou qualquer guloseima eu dou pra quem eu tô a fim, se é pra todos deixo na mesa da copa e que sirvam-se, mas não me sinto na obrigação de ter que dar um pedaço, fatia, ou o que seja pra alguém que não tô a fim. Ainda mais no caso do seorvete, se estava com vontade ela que saísse e comprasse.
      abraços

      Excluir