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terça-feira, 26 de abril de 2011

Se em terra de cego quem tem um olho é rei...

Há pouco ouvia Caetano Veloso, a música: “O estrangeiro”, que traz na letra a frase: “Ray Charles é cego, Steve Wonder é cego, e o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem.” Outras referências à deficiência visual se seguem, até o amor, que dizem também ser cego. Mas a meu “ver”, nada mais cego que a justiça, não como se diz dela, por não fazer distinções, mas ao contrário, por não enxergar nada além do que lhe convenha. Mas enfim, não é desta cegueira que desejo falar, deixemos a justiça míope, com hipermetropias, astigmatismos e daltônica pra lá...

 Van Gogh era daltônico.
Como Adriana Calcanhoto em "Esquadros". “Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores”. E sejam elas de Almódovar, do próprio Van Gogh, Goya, Velasquez ou Frida Khalo, me encantam. Por outro lado, a maioria das vezes não percebo cores de maldade ou aproveitamento que os ocres sabem bem camuflar. E por isso tropeço, e a cada tropeço levanto e volto a apreciar novos matizes antes opacos. Conheci uma criança daltônica, filho de uma conhecida que um dia o deixou sob cuidados meus e de outra amiga a fim de cumprir sei lá que afazeres. Era um garotinho lindo, de seus cinco ou seis anos, cabelos lisos, louro escuro cortado em franja e lindos olhos negros. Nos demos conta da dificuldade de seus olhos apenas ao dizer a ela para pegar um bombom na caixinha amarela em cima da estante ao lado. Ele alegre foi direto a uma caixinha preta, e retrucamos “_A amarela” e ele partiu a uma terceira não lembro que cor. Só ai é que nos caiu a ficha, embora já soubéssemos de sua deficiência.

 Kátia é o nome de uma cantora cega que fez sucesso no Brasil dos anos 1970-80. Lembro de minha mãe comovida como tantos dizendo que se morresse logo queria que as córneas fossem para ela. Meu avô paterno tinha promessa para Santa Luzia, e em seu dia (13 de janeiro) guardava-o como dia santo. Minha mãe manteve o quadro da mesma santa em casa até viajar e a concubina de meu irmão, que se dizia evangélica, jogá-lo fora (afinal é representação do inimigo - embora eu saiba quem realmente é inimigo ali!) aproveitando-se da ausência da real dona da casa. Eu por minha vez sinto já os efeitos da catarata no olho direito. Possivelmente pelo hábito infantil de olhar direto para o sol. O fato de fechar o esquerdo para fazê-lo explicaria o porquê de um olho só... Quem sabe no futuro um tapa-olho caia bem...



Os clips das músicas citadas no texto podem ser assistidos em: 

Esquadros: http://www.youtube.com/watch?v=EeNUsrw8qA8

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ah, vá tomar banho... Ou, se preferir... vá lamber sabão!

            Desde que soube que Teca, uma amiga de Salvador, tem verdadeiro fetiche por sabonetes novos, cada vez que abro um novo não tenho como não me lembrar dela. E acabo de sair do banho, onde esta lembrança se somou a outras, de sabonetes, banhos, etc.

A mente vagou por Teca e seu pequeno prazer de abrir o invólucro e descobrir o cheirinho bom do sabonete novo e foi para Fabi, que em Ubatuba, uma vez confessou-nos seu estranho hábito de lamber os sabonetes. Foi uma risada uníssona, e ela teve que explicar que eram apenas sabonetes recém abertos, ou de seu uso pessoal e intransferível (esperamos mesmo que seja assim. risos]). Narrou-nos sobre a vez que tinha já abandonado o hábito, mas um dia ao abrir um novo para colocar no box não resistiu e... Lambeu! Motivo de lágrimas por voltar ao vicío, que depois explicou à mãe preocupada com o choro.



Duvirgens, “a louca”, e em um texto futuro hei de explicar o porque do epíteto “a louca”colecionava-os. Tinha vários, de aromas, formatos e ingredientes diferentes.

Patrícia os fazia para Marcos, que era alérgico, em uma prova de gentileza e amor ao marido, e vez por outra presenteava-os aos amigos. Cheguei a ganhar alguns.

Uma vez, depois de uma reunião “fudida”, saí da sala de reuniões de uma instituição onde trabalhei, entrei direto na minha sala, peguei a bolsa e disse às meninas que trabalhavam comigo: “_Acabei de engolir um sapo, que não foi muito bem digerido, então para não correr o risco de descontar em nenhuma de vocês, tô indo embora.” Peguei minha bolsa e saí, acabei indo à 25 de março, comprei uma revista de artesanato, material e fui eu mesmo fazer meus sabonetes. Aquele ano todos meus auxiliares e estagiários ganharam sabonetes no Natal. Hoje raramente os faço, por gostar de variá-los.

Ziza na maioria das vezes não os usa, toma banho apenas com água e bucha natural, mas dependendo do cheiro que tenham cede à tentação, mas apenas para lavar as "partes".

Diô, arredio à água como bom sulphurino da homeopatia, sempre diz que não sabe quem foi que inventou essa história de que banho faz bem.

Vô Erasmo, certa feita, estando adoentado, na casa de Dona Dalma, filha das mais novas, ficou dois dias sem tomar banho. No terceiro, Máxima, a filha mais velha chegou para buscá-lo e ele disse que não ia para casa dela, pois se fosse teria que tomar banho. Máxima apenas encrispou-se e perguntou que história era aquela, e ao saber da falta de banho do progenitor, apenas virou para ele e disse com toda a autoridade: “_Não precisa ir pra minha casa pra tomar banho não, eu vou te dar banho é aqui mesmo. Já pro banheiro!” Como quem a conhece não a contraria, ele cumpriu imediatamente a sentença. Máxima foi auxiliá-lo.
Saiu do banho até rosado, com os pelos do braço fininhos e arrepiados. Passados alguns instantes, aproveitando a saída da filha mais velha, resmungou: “A Máxima me deu banho com uma esponja tão engraçada; era um lado amarela um lado verde, chega que arranhava...” Sim, senhores leitores, a esponja de banho era uma Scott Brite...

Greg, o “terror das empregadas”, tinha como frase de impacto, de inicio da paquera, sempre a boca a perguntar: “ que parte do corpo você lava primeiro quando toma banho?”.

Tia Hercília, sempre que via algum grude exacerbado de namorados, dizia entre  jocosa e irônica: “Mas não é um amor de sabonete Phebo?”

Outro dia, dia internacional da  água, Alex inventou que boa maneira de comemorá-la seria não tomando banho a fim de economizá-la. Iniciou-se imediatamente uma campanha contra o suposto ato de sacrifício e, ao chegar, Roberta, sua esposa, já o encontrou banhado e cheiroso.

Quando viajo, a única exigência em hotéis é que tenham banheiro no quarto, afinal banheiro coletivo não dá. E nada mais gostoso que um bom banho com sabonete bem cheiroso e depois deitar em um lençol que foi acabado de colocar.

Em uma de nossas idas à Casa do Norte, ao ir embora, cruzamos com um rapaz que tinha acabado de sair do banho. Maluce notou na hora. Era Dove!

Bem, caro leitor, tenha um bom banho! Afinal, como dizia dona Anna Piantino, água e sabão lavam e limpam tudo, só não lavam língua de mulher faladeira.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Que tapete lindo!!! Posso puxar???

       De uma coisa há que se dar o braço a torcer quanto aos maus-caráter. Ao mais das vezes são simpáticos e/ou divertidos.

       E é isso que os fazem angariar simpatias de pessoas para as quais a profundidade de uma folha de papel (de seda) basta. Recordo de um destes seres trevosos que trabalhou na mesma empresa que eu, em setor diferente, graças a algum merecimento que eu devia ter com o plano espiritual. Essa criatura foi demitida por justa causa pouco tempo depois, mas enquanto esteve por lá fez estragos diversos, e chegava ao descaramento de dormir no trabalho, até ser pego neste ato por sua chefia. Fazia serviços particulares em seu horário normal de trabalho, utilizando-se de meios da própria empresa, inclusive da mala direta da instituição - o que foi sua perda.

       Dos poucos que lamentaram sua ausência, a justificativa era: “_Ah, mas ele era tão engraçado...”

E é assim que eles conseguem ludibriar incautos. Entre um sorriso e outro, entre um gracejo e uma piadinha preconceituosa... Há os que dotados de alguma beleza ou magnetismo pessoal usam a natureza para seduzir chefias carentes ou com instinto maternal não saciado, a quem a mais das vezes, estão ávidas por mostrar simpatias, admiração e compreensão em troca de pequenos favores e deferências. E assim são dispensados em emendas de feriados e mesmo em dias de jogos de seus times. Conseguem fazer tratamentos odontológicos que os dispensam mais cedo, por manhãs ou tardes inteiras durante anos a fio, parecendo ter mais dentes que células...

      Claro há os que não tem beleza, simpatia ou o dom da veia humorística e utilizam-se de puxa-saquismo e puxação de tapetes. E permanecem assim onipresentes aos pés da divindade de sua chefia.

      Uma outra havia, que era bem mansa até e ao menos não prejudicava a ninguém, presente estava sempre, todos os dias, mas ninguém nunca sabia onde... Por trabalhar apenas meio período, nunca se sabia se vinha pela manhã ou pela tarde, e assim dava plantão em seu escritório particular. Mas sempre estava ali para levar a chefia ao banco, ou ao dentista, quando esta necessitava. Como não dirigia, aceitava-lhe a oferta com muito gosto, e pegava caronas até o metrô quando saia... Mas quem é o aproveitador e quem é o aproveitado nesta estranha simbiose?

       E há os que defendem ardentemente as idéias de chefia ou empresa, sem questionar, o que poderia levar a uma discussão produtiva e resultados idem ao trabalho especifico, a normas e modus operandi de departamentos e firmas. Mas estão também, sedentos para mudar de idéia ao primeiro sinal de novo rumo na direção do vento; tornando-se "cristãos novos " assumem de pronto outros pensamentos e concepções. E os defendem com tal fúria e vigor que ninguém reconhece o espectro anterior.

       Lembro, tempos atrás, em horário de almoço onde dividia a mesa com vários colegas, que surgiu uma crítica a uma antiga chefia que saía para ir ao massoterapeuta na tardes de terça, drenagem linfática e massagem facial nas quintas, a cada três semanas bronzeamento artificial (nunca confie em ninguém de quem você não sabe a cor), e voltava aos finais da tarde plenamente relaxada (não vou dizer bela e formosa porque não o era, e ia apenas à clinica de estética não à clinica de cirurgia plástica). Vigiava ela, como um bom cão fila, para que ninguém saísse cinco minutos antes, o que seria motivo de explosões coléricas. Bem, situado o assunto voltemos ao almoço que transcorria. Uma das pessoas à mesa levantou-se em tom ríspido: “_Mas ela é chefe, e chefe pode tudo!” Repliquei apenas que já havia ocupado cargos de chefia por duas vezes e nunca agira assim pois achava que o exemplo tinha que vir de cima. A pessoa em questão enfiou um naco de carne à boca e calou-se!

       E chega de falar de chefias, só vou falar da que me disse uma vez, após ouvir argumento sobre a biblioteca que era apenas um setor dentro da intituição: “_Então eu mando por escrito e você tem que obedecer!”

       Há os amargos, os que sempre sabem da última, o que o outro falou, o que o outro fez, o que fulano Falou de Sicrano e o que José Abano replicou. E se questionados, nunca falaram, nunca viram, nem sabiam... Fica o dito pelo não dito, e viva São Benedito!

       O mais engraçado é como nos deixamos ludibriar por eles; vêm de mansinho como a serpente que busca o rato arisco, e aos poucos vão sondando personalidades e qual influência cada um tem no meio, para então escolher de quem e como se aproximar. E sempre tem os de gostos fáceis e os que sem maldade confundem sorrisos com amizades. Como nunca exerci influência e nem escolho amigos pelo que têm ou cargo que ocupam, não me dou bem nesse jogo de tabuleiro e mantenho-me à esquerda de risos cínicos e fáceis e favores pessoais que sempre serão cobrados de alguma forma. E mantendo-me à esquerda, sigo fiel a meus princípios e mantenho minha fama de mau. Afinal, sou ruim mesmo, pior que merda mexida sem tempero!