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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Minha Pasárgada, que lá sou filho da rainha.

Na casa de minha mãe sou visita ilustre, capricha-se na faxina e se estendem toalhas, lençóis, fronhas e tapetes que em outras ocasiões permanecem com ramos de alecrim ao fundo de um baú que foi de minha avó.
Talheres escondidos surgem à mesa, quitandas não são feitas, mas compradas aqui e ali, ao contrário do cardápio de sal. Neste, banquetes revolvem tripas puritanas de gente nojentinha, mas que a mim fazem salivar só de lembrá-los.
Tem o dia da panelada que como fervendo, com umas gotas de malagueta, ainda que faça calor. O suor me vem à testa, nem derrame, nem congestão, mas bons quilos dos quais custo a me livrar. Tem o dia da buchada, e ah, como é esperada... Não, não vem com arroz dentro, só miúdos e a tripaiada. Quente também, que nunca fui boia fria. E tem baião de dois com pequi dentro, e para arrematar, nesse dia tem ovo frito na manteiga de garrafa, ovo de galinha caipira claro, como as claras. Se é para cevar, vamos engordar. Um pouquinho de pimenta de macaco, do pé lá do fundo do quintal. Vixe! Come-se até quase passar mal.
Três dias antes de eu chegar, o leite já lá está, pra virar coalhada, grossa, de comer em pedaços, com mel, açúcar, raspas de rapadura, ou mesmo adoçante, só pra disfarçar. Não me nego ao bocado branco, gelado, tenro.
Hummm, salada de frutas, feita com os mamões do quintal, redondos, bem amarelos, de um doce que só os de lá... E pensar que fui eu mesmo que comecei a semeá-los por lá. E sempre, a cada ida, semeio mais, que é pra fruta não acabar.
Já por aqui ao descrever salivei como um cão do Pavlov. Nem vou falar de cuscuz, beiju e pão, nem das atas, dos sucos de acerola, cajá e limão. Melhor parar por aqui, antes de perder a mão.

Foto: Djair - Batatas doce e mandioca

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Escrevendo...



Às vezes saem bonitas
outras tantas, esquisitas
as palavras que arranho no papel.

Não tenho controle sobre elas,
simplesmente vêm e a tinta dá forma ao que era pensamento,
ou como muitas vezes, nem isso o era.

Às vezes um primor, às vezes um tormento,
por vezes me orgulho de um ou outro momento rico,
em outros me acho um asno, mesmo assim escrevo,
só pra espantar o marasmo.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O equilibrista

Olho à direita:
Privatiza, elitiza, estigmatiza
Polícia, porrada, porrete, pelegos, pedintes


Mais à direita:
Taxa, carimba e exclui, martiriza
É pecado, pouca-vergonha, coisa do demo
Tá amarrado, exorcizado
E tudo em nome d´Ele, pobre coitado

Olho à esquerda:
Mas como assim?
Se alinharam à direita
Alguns mais que outros
Originais? Marginais!
Excludentes, prepotentes, canibais

Para onde ir?
Fecho os olhos e sigo em frente
Na corda bamba…
“Tu num bambeia caboclo, tu não bambeia…”




Foto: Djair - As próprias pegadas, praia de Camburi - Vitória - ES;