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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Deu branco

A síndrome da folha branca... 

Maluce sempre fala que sofre dessa síndrome quando vai postar algo em seu blog (Diário de Myrna). Às vezes me acomete também, como hoje, em que não sabia sobre o que escrever. Mas eu e Myrna Gioconda, temos processos criativos diversos. Ela escreve de punho, analisa, corrige, lê, re-lê... 

Eu por minha vez, sento e a mais das vezes sequer releio, as correções são feitas pelo word, ou por amigos, Jair, Carol, Teresa... Se eu mesmo vou fazê-lo, o texto ganha outro aspecto, mudo tudo, enfoque, parágrafos de lugar, e sai outro texto. É uma grande falha não reler, pois em geral poderiam sair melhores, ou... Menos piores... Dificilmente me satisfaço, e como a pedir socorro mostro a pessoas próximas afirmando: "não sei como acabar isso", "esse final não me agrada". Mas sempre acaba indo ao ar do jeito que está. 

Outro fato é a mudança de um tema pra outro, uma frase me remete a uma lembrança de um fato e isto vai ao texto, correndo de um canto a outro da mente sem preocupar-me se as orações são coordenadas (sindética ou assindeticamente).  E por ai vou; depois, quando vejo publicado, é que me dou conta de ter fugido do assunto a que me propus no início, não que ache que isso empobreça o texto, pelo contrário, pode ser um estilo (risos, como costumo dizer: em geral somos muito condescendentes com nós próprios).


Hoje era um dia destes em que não sabia o que escrever, e já que a tela em branco na minha frente conclamava ser preenchida com caracteres que formassem um texto, porque não falar sobre isso? Afinal já era sexta-feira e os textos novos costumam ser publicados no blog às quintas... Eu pelo menos sei disso. E acredito que alguns seguidores (mais uma condescendência a mim) também recordem e vão até lá ver o que há de novo. 

Na verdade, escrever algo novo a cada semana não deixa de ser um bom exercício para prevenir o Alzheimer, e eu que escrevi na juventude dezenas de cartas semanalmente, aproveito para não esquecer a forma das palavras num mundo virtual onde cada vez se escreve mais errado, e novas e bizarras abreviações são criadas a todo instante. É também uma espécie de terapia, onde eu, misantropo e irritado confesso, busco formas de expressar pensamentos e sentimentos íntimos e assim, com episódios odiosos e risíveis, contribuir para o fomento do riso ou da indignação dos que compartilham a leitura. O assunto é vasto, não sei se dentro de mim apenas, mas acredito que prolongar o texto seria torná-lo cansativo e redundante, acho que parar por aqui seria sensato, quem sabe em outro momento tenha mais a dizer. Por ora, paro por aqui.

Foto: Carol Bracht

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Comidas, colegas e causos de infância.

Hoje no café da manhã o papo flui para comidas antigas, comidas de infância, logo: comida de pobre.
 
O item que deu início a essa sessão de rememorações foi “quitute de boi”, que é uma espécie de carne prensada que vem enlatada, e a lata quadrada é aberta por uma espécie de chave que você gira até cortar a tampa. Também vinham latas de fiambre no mesmo formato, isso lá pelo final dos anos 1970, inicio dos 1980... E era também um empurrão rumo aos enlatados estadunidenses, como as almôndegas e os feijões brancos. Tudo pronto e enlatado, moderno!


 
Na TV, “A feiticeira” há tempos já usava o nariz a fim de ligar na tomada o liquidificador e o aspirador de poeira, já que o belo nariz arrebitado não podia de vez acabar com o pó (não confundir com pós brancos e alucinantes) de sua casa ou fazer vitaminas para a família. Lá pelos anos de 1960, sua finalidade como garota-propaganda era disseminar os produtos mundo a fora. Afinal, seu marido era um publicitário que mostrava ao mundo a nova profissão e, sem eles - a profissão e os produtos, a série nem mesmo existiria. Na mesma época, "Jeannie é um gênio" popularizava a Nasa e por aí vai.
 
Mas voltando às comidas, como alguns não conheciam o dito "quitute", terei que comprar e fotografar um deles. Portanto, amanhã ou depois este texto terá ilustrações, não percam...
 
Do quitute, que falamos ser também comida de pobre, pois pobres éramos, passamos para taioba, outro desconhecido do lado direito de quem estava à mesa... Imagine então se eu falasse de vinagreira e bolo frito...

Lembrei de angú... 
 
Lembrei-me de Washington.
 
Washington era um dos coleguinhas de infância; sua mãe, que hoje percebo devia ser fã de musicais hollyoodianos, vestia-se sempre como se fosse sair e usava colarzinho de pérolas (falsas é claro) o tempo todo, talvez por assim chamar-se. Sempre bem penteada, moravam em uma das casas mais bonitas da rua. Na varanda, assim como no interior, vasinhos de flores à moda das casas de filmes das sessões da tarde.
 
Era o contrário da mãe de Kleiton. Esta, a costureira da rua e que, pelo visto, levava vida apertada, chamava-se dona Esmeralda e hoje imagino se ela tinha alguma rixa com dona Pérola, podendo então este texto chamar-se a rusga das jóias.  
    
Brincávamos na rua, já que àquele tempo poucos tinham carro na nossa, que formava um cotovelo e não tinha saída, praticamente uma vila. Em nossa infância mineira estávamos sempre a correr, pular corda, jogar queimada ou brincar de pique na rua ou a brincar em algum dos quintais vizinhos, amplos e com flores ou árvores...
 
Em geral ao tornar-se a tarde mais quente, lá pelas 15:00 ou 16:00 hs., invariavelmente ouvíamos dona Pérola que saía à janela ou varanda a gritar como se estivesse a cantar uma ária de Bizet:
“_Washingtooooooooon... Meu filhinhooooo... Venha lanchaaaaar... Tem pão com salameeeeeee, e guaranááááááá... Traga seus amiguinhooooos...”
 
Imediatamente, dona Esmeralda abria a janela, com força, que sempre batia às paredes e berrava: “_ Creitô! Vem cumê!! (Sic) Tem angu doce! Traz fi-da-puta nenhum não!!!”


Foto: Claudia Cavalcante - Lata de quitute bourbon.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Lavando a louça suja

Uma das coisas com as quais, acredito, eu nunca vá me conformar, é a imundície com que vivem algumas pessoas, o modo como se comportam, mesmo vivendo em sociedade. Não falo de nômades, andarilhos ou náufragos, presidiários ou asilados, mas de pessoas com educação formal adquirida e à primeira vista comportamento social adequado. Mas já disse o cantor: “de perto ninguém é normal.” 

Dia desses, uma amiga, advogada, comentava chocada sobre o atendente da sala da OAB de um fórum, que lhe atendeu comendo bolachas... Já vi pessoas em outros trabalhos com o mesmo tipo de alimento à boca, e os farelos a saltarem na cara do “atendido”. Mas nem me choquei tanto quanto o que ainda havia de ver... 

Um dos absurdos freqüentes é a sujeira em refeitórios de ambientes de trabalho. Afinal, se em suas casas os funcionários quiserem pias em urinóis, que o façam, nada tenho com isso, mas imagine em um espaço compartilhado por várias pessoas, o quão desagradável é chegar para sua refeição, ou um lanche, o que for, e encontrar o micro-ondas repleto de restos de comida, porque as pessoas o usam sem tampar suas marmitas e depois não vão se dar ao trabalho de limpá-lo, é claro. E aí, tome molhos vermelhos, brancos e furta-cores, pequenas crostas que poderiam ser de feijões, arroz, crocodilo... Quem sabe seja um jogo do adivinha que esteja a acontecer e eu é que não fui chamado a participar... 

E a pia? Bem, esta é um capítulo à parte, tem gente que deve achar bonito, vai saber... Mas sempre estão lá, os restos de arroz, enchendo a tela que os impede de ir ao ralo... E não, não é por falta de aviso. Colocam-se cartazes, com ilustrações inclusive de uma pia pavorosa, e com solicitação para que, ao lavarem suas marmitas, recolham seus restos e joguem ao lixo, mas... Dá trabalho... Ou então quem sabe é uma tara semelhante a de um personagem de novela recente que sentia tesão por cheiros fortes... Tem tanta patologia estranha por aí... Por isso mesmo os cartazes foram retirados... Mas também, nem adiantavam mesmo... 



Outros tomam cafés, chás, água, enfim, o líquido que os apetece, e ali mesmo na mesa largam seus copos sujos, e quem quiser que os recolha e jogue-os no lixo. Estranho, conheço gente que sempre teve empregados, e que jamais procederia assim... 

Banheiros de espaços públicos, esses então... Não estranhei que o banheiro reservado apenas a funcionários tivesse dia destes com a tampa toda respingada de urina... Não estranhei, não... Afinal, estranhar depois de ler um dia “pixado” na porta de um banheiro de conceituada universidade: “Sou aluno do 4º ano de medicina e todo dia uso este banheiro, nunca dou descarga, para que todos vejam a minha obra”. Comento? Melhor não... Mas a partir daí não me causa estranheza que banheiros femininos tenham que ser fechados ao serem entupidos por absorventes ali jogados... Às vezes, acho que há uma guerra em curso, uns urinam nos vasos porque quando vão lá estão com dejetos, outros não dão descarga porque quando vão usá-los estão com as bordas repletas de urina. E não é porque não tenham mictórios... Trata-se de represália... Só isso explica... 

Outro dia quase falei pra namorada de um rapaz, que era acariciada no rosto por ele, que o jovem mancebo tinha acabado de sair do sanitário e sequer tinha lavado as mãos... Mas enfim, ela o escolheu, ela que arque.
E tem gente que se horroriza quando alguém, por sentir náuseas ou simples excesso de saliva, cospe no chão. Não se choquem, existem coisas piores por vir...


Foto: Carol Bracht Souza - A Pia citada no texto. 
Como hoje é dia de feira, e as pessoas vão comer pastel, não está em seus piores momentos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sala Inclusiva é inaugurada na Biblioteca Central da Unifesp

  Nesta última quarta-feira, 02 de fevereiro de 2011, foi inaugurada no sub-solo da Biblioteca Central da Unifesp “Prof. Antonio Rubino de Azevedo”, a primeira sala inclusiva da universidade. Fruto do “Projeto Incluir”, do Governo Federal, a aquisição de equipamentos foi possível graças à ação do NAI/UNIFESP – Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, do qual fazem parte os Bibliotecários: Maria Elisa Rangel Braga (diretora da Biblioteca Central) e  Djair Rodrigues de Souza. 
              
O projeto desenvolvido no NAI contou com várias frentes e, no âmbito da Biblioteca, após pesquisa realizada, optou-se pela aquisição de equipamentos modernos que compõem a sala inclusiva. Foram adquiridos dois microcomputadores, com teclado em Braille, dois scanners leitores (que escaneam e simultaneamente lêem o documento apresentado na tela do computador); uma lupa eletrônica com monitor de vídeo e 10 réguas de leitura. 
 
             
Além destes equipamentos, também foram adquiridos, com recursos da Biblioteca Central, dois fones de ouvido e um ventilador. 
                 A sala está disponível a toda comunidade, promovendo acesso digital e inclusão social. Para tal finalidade, a Biblioteca também possui rampa de acesso conforme normas da ABNT, banheiro para deficientes e elevador, o que promove maior independência  aos usuários portadores de deficiência locomotora.
 
Fotos - Marcus Vinicíus Garret Chiado :
Panorama da sala inclusiva
Demonstração da Lupa Eletrônica.