Uma das coisas com as quais, acredito, eu nunca vá me conformar, é a imundície com que vivem algumas pessoas, o modo como se comportam, mesmo vivendo em sociedade. Não falo de nômades, andarilhos ou náufragos, presidiários ou asilados, mas de pessoas com educação formal adquirida e à primeira vista comportamento social adequado. Mas já disse o cantor: “de perto ninguém é normal.” Dia desses, uma amiga, advogada, comentava chocada sobre o atendente da sala da OAB de um fórum, que lhe atendeu comendo bolachas... Já vi pessoas em outros trabalhos com o mesmo tipo de alimento à boca, e os farelos a saltarem na cara do “atendido”. Mas nem me choquei tanto quanto o que ainda havia de ver... Um dos absurdos freqüentes é a sujeira em refeitórios de ambientes de trabalho. Afinal, se em suas casas os funcionários quiserem pias em urinóis, que o façam, nada tenho com isso, mas imagine em um espaço compartilhado por várias pessoas, o quão desagradável é chegar para sua refeição, ou um lanche, o que for, e encontrar o micro-ondas repleto de restos de comida, porque as pessoas o usam sem tampar suas marmitas e depois não vão se dar ao trabalho de limpá-lo, é claro. E aí, tome molhos vermelhos, brancos e furta-cores, pequenas crostas que poderiam ser de feijões, arroz, crocodilo... Quem sabe seja um jogo do adivinha que esteja a acontecer e eu é que não fui chamado a participar... E a pia? Bem, esta é um capítulo à parte, tem gente que deve achar bonito, vai saber... Mas sempre estão lá, os restos de arroz, enchendo a tela que os impede de ir ao ralo... E não, não é por falta de aviso. Colocam-se cartazes, com ilustrações inclusive de uma pia pavorosa, e com solicitação para que, ao lavarem suas marmitas, recolham seus restos e joguem ao lixo, mas... Dá trabalho... Ou então quem sabe é uma tara semelhante a de um personagem de novela recente que sentia tesão por cheiros fortes... Tem tanta patologia estranha por aí... Por isso mesmo os cartazes foram retirados... Mas também, nem adiantavam mesmo... Outros tomam cafés, chás, água, enfim, o líquido que os apetece, e ali mesmo na mesa largam seus copos sujos, e quem quiser que os recolha e jogue-os no lixo. Estranho, conheço gente que sempre teve empregados, e que jamais procederia assim... Banheiros de espaços públicos, esses então... Não estranhei que o banheiro reservado apenas a funcionários tivesse dia destes com a tampa toda respingada de urina... Não estranhei, não... Afinal, estranhar depois de ler um dia “pixado” na porta de um banheiro de conceituada universidade: “Sou aluno do 4º ano de medicina e todo dia uso este banheiro, nunca dou descarga, para que todos vejam a minha obra”. Comento? Melhor não... Mas a partir daí não me causa estranheza que banheiros femininos tenham que ser fechados ao serem entupidos por absorventes ali jogados... Às vezes, acho que há uma guerra em curso, uns urinam nos vasos porque quando vão lá estão com dejetos, outros não dão descarga porque quando vão usá-los estão com as bordas repletas de urina. E não é porque não tenham mictórios... Trata-se de represália... Só isso explica... Outro dia quase falei pra namorada de um rapaz, que era acariciada no rosto por ele, que o jovem mancebo tinha acabado de sair do sanitário e sequer tinha lavado as mãos... Mas enfim, ela o escolheu, ela que arque. E tem gente que se horroriza quando alguém, por sentir náuseas ou simples excesso de saliva, cospe no chão. Não se choquem, existem coisas piores por vir... Foto: Carol Bracht Souza - A Pia citada no texto. Como hoje é dia de feira, e as pessoas vão comer pastel, não está em seus piores momentos. |
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Lavando a louça suja
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