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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Café com leite e um pedacinho de paraíso.


                Hoje pela manhã, Sônia e Enzo falavam em café com leite; logo me veio a vontade. Uma caneca de ágate enorme, cheinha de café com leite, bem clarinho,  quente... Na verdade em minha utopia ela está em minhas mãos e estou ao lado de um fogão a lenha apreciando a chuva que cai lá fora... É uma reminiscência infantil, buscada em antanhos, quando do aniversário de 38 de minha mãe, sobre o qual já falei aqui no blog. Mas na verdade, não da festa e sim de dias antes. Íamos com seu Darcy, vizinho da frente, que tinha um armazém, onde comprávamos. Tinha ele parentes que moravam em uma fazenda nos arredores de uma cidade da região, e foi onde fomos buscar dois cabritos a serem sacrificados para a festa...
 
                Aquela excitação infantil por ir à fazenda nos fêz acordar de madrugada; de criança apenas eu me levantei de pronto, William, filho de seu Darcy, e meu irmão não acordaram, ou melhor, não levantaram, e eu fui a única criança a ir. Estava escuro ainda, garoava... Chegamos sob chuva que durou o dia todo. A fazenda, na região do “vale do aço”, em Minas Gerais, naqueles idos dos anos 1970, já plantava eucaliptos, e é essa a imagem preponderante daquele sítio... Eucaliptos, escuro, chuva... 

 
                Fazia frio e fomos recebidos pelos moradores na cozinha, pelo menos é o que me lembro, mas já não sei se foi por ali que entramos, e ali estava um fogão à lenha, com fogo aceso, quentinho, aconchegante... E talvez por anos ainda mais distantes, quando visitávamos meu tio Lourival, o mais pobre e mais querido dos irmãos de meu pai, onde havia em sua casa um fogão de lenha que lamentei anos mais tarde ter sido desfeito, me senti em casa. Perto do fogo... E talvez, sabe Deus, é daí que venha minha paixão também por fogueiras. 

                Lá fora a chuva caía e nos serviram, em canecas de ágate, café com leite de cabra, produção local, caseira... Deliciosamente quente, doce, forte... E é esta a imagem que sempre vem a minha mente quando tomo café com leite, seja em casa, seja na padaria acompanhada de um pão na chapa. É a imagem que me veio da conversa de Enzo e Sônia. É o que mais forte está em mim, embora também goste de café com leite no prato, em cima de um bom pedaço de cuscuz amanteigado, para comer/tomar de colher. E agora peço licença mas tenho que ir ali, tomar um café com leite e comer um pão na chapa com a alegria destas lembranças.

                     Foto: Dionísio Pedro da Silveira - casa da tia Maída (Margarida Silveira) na roça, vista do sítio do João de Deus e Inês. 

10 comentários:

  1. Caramba Djair vc me fez lamber os beiços de vontade de comer um cuzcuz amanteigado... hummmm! Quanto ao café com leite? ADORO! Bem quente, clarinho e bem docinho. Te espero em breve, para que em volta do fogão à lenha, conversemos (será que grafei direito essa palavra. rsrs) por horas a fio, relembrando "causos" e quem sabe até cantarolando algumas lindas canções à moda antiga. Bjs meu amigo. Ana Angélica.

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  2. OLá
    Menininho
    Também estou precisando de uma deliciosa caneca de café com leite bem quentinho!!!!!!!!
    Não é possivel de fogão a lenha mais vai no gas mesmo.
    Sabe menininho que chegue logo o final de semana para podermos tomar o cafe com leite e relaxar
    bjs
    Menininha

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  3. Meu querido Djair...adorei sua crônica...tambem me faz voltar ao passado quando o fogao era a carvao e minha mae tinha que levantar as 4:00 da madrugada pra ascendê-lo...me lembro que ela torrava amendoins que a gente gostava de comer tomando café preto...nos dias de chuva ela fazia bolinhos de chuva esses sim a gente tomava com café com leite bem quentinho...lembranças muito boas da minha infância que foi muito simples mas muito feliz...vc mexe com minhas lembranças meu querido e te agradeço muito por isso...saber que alguem que acabo de conhecer tambem teve uma infância feliz como a que eu tive me emociona muito...apesar de que sou muiiiiito mais velha que vc...que Deus te abençoe e siga te inspirando essas crônicas tao lindas...beijo grande com imenso carinho e agradecimento...

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  4. q lindo!!! q imagem linda!!!! é tão dificil as pessoas falarem das boas e inocentes lembranças hoje em dia...leve, suave...gostoso de ler...valeu a pena passar por aqui antes de ir ao noel...rsrsr

    Sil

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  5. Sua crônica e a foto se misturam...eu li a crônica toda e depois voltei à foto e fixei meus olhos nela um tempão como que imaginando as cenas dentro da casa...Sabe o que eu acho? Que você tem um encanto: o encanto de escrever bonito sobre coisas simples; sobre fatos do cotidiano que nos remete a lembranças queridas de nossas vidas e isso, pelo menos, para mim, faz um bem que você não faz idéia...ai,ai..;)

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  6. Adorei conhecer este menininho, que mostra que não precisa de nada tão complicado para ser feliz, mas ter o coração puro e os olhos inocentes... Um fogão a lenha, uma caneca de café com leite, um telhado para se abrigar da chuva, pessoas amigas ... um cuscuz amanteigado, um amendoim torrado, ou um pão assado? Pode qualquer coisa, se assim queremos, se assim nos alegramos, se não complicamos...
    Bjo meu querido, e não perca o menino de vista!

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  7. Boa noite, Djair!

    Sou Leila, prima da Monica Derito. Vim agora ajudar, desde que soube que ela piorou muito. Ela me disse que tinha várias páginas abertas na rede. A primeira que ví foi a sua. Percebi que minha prima escrevia um comentário pra vc e não enviou. Dei uma finalizada, mas quando enviei não foi. Veio um aviso de que o comentário dela não podia ser publicado porque tinha mais que num sei quantos caracteres. Então salvei no word dela pra depois ela decidir o que fazer. Mas adianto que ela elogiava muito o seu blog, que falava sobre a sua linguagem poética, e que contava a história de um café com leite dela, algo que aconteceu na Espanha. É isso, legal? Acho que depois ela manda o comentário, só não sei como, porque é um negócio bem longo!

    Abraços da Leila Derito, prima da Profa. Monica

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  8. Nossa, quantos comentários lindos, quanta gente querida. Obrigado a todos. Fiquei tão feliz que vou comentar os comentários. rs

    Ana Angélica, desse jeito breve terei que ir a Curitiba para um café com leite a beira do fogão...

    Rita, menininha, realmente, em geral na semana não tomo café da manhã, apenas um café preto já no trabalho, já nos fins de semana é aquele café com leite e preguiça, as vezes com pão com manteiga, as vezes com cuscuz e mais raramente com beiju. Com a cachorra ao pé da mesa, ainda faço o café de coador, quem achar anti-higiênico que não tome.

    Sônia, hummm, em Málaga, que não conheço, deve ter como em Sevilla aqueles churros maravilhosos para tomar acompanhado de café com leite. Idade, vou repetir aqui a frase do Cleber: "Amores e amigos não tem idade!"

    Silvia, é isso, descrições do Paraíso são assim, saem facéis, e costumam agradar... rs


    Rô, a casa da foto, da tia Maída, infelismente hoje está fechada e ela foi morrar no arraial, depois de um AVC aos 86 anos. Ali o fogão a lenha sempre estava acesso, e o bule de agata, vermelho, sempre com café quentinho, sempre uma quitanda a acompanhar. Biscoito de polvilho, broa, queijo feito em casa pela Ana, que sempre insitia: "Toma mais..." "Come mais..." E o leite tirado ali mesmo, pelo tio Onofre, mas isso dá outra postagem...

    Laura querida, bem que eu tento perdê-lo as vezes, mas ele me persegue... Então desisto.

    Leila, obrigado pelo comentário do comentário da Monica, que ela receba muitas vibrações salutarees que emitimos e breve retorne. E... Possa nos contar a história dela sobre o café com leite...

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  9. Nossa Djair, essa é mesmo para comentar. Consegui me ver criança a beira do fogão de lenha de minha avó. Não lembro o que comia por lá, mas lembro bem do café que ele fazia no fogão a lenha, fraco e doce. Com relação a casa, a dela era de pau a pique e suas canecas eram de alumínio. Quanta Saudade!!!!

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  10. Nossa,Dja!Viajo em seus escritos. Dá pra imaginar cena,em uma vivacidade incrível.Senti até o cheiro de chuva.Simplesmente lindo!

    Beijão!Dani.

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