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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

E o palhaço, o que é???

              “Abelhinha, abelhinha, bota mel na minha boquinha...” Era uma das brincadeiras antigas que os palhaços faziam no circo em minha infância. Eram circos pobres, que iam pelas cidades dos rincões, levando alegria e diversão. A lona muitas vezes era furada, pobres como nós, sua plateia. Ficávamos a mais das vezes nas arquibancadas de madeira, sem forração, lisa pelo sentar e levantar do público. Era o ingresso mais barato, e onde estava a maior animação, e quando ficávamos nas cadeiras de plástico, mais próximas ao picadeiro, a maioria dos colegas estava do outro lado da corda que separava os dois assentos. Então a arquibancada garantia também mais risadas, pois não é quem ri por último que ri melhor, como diz o ditado, mas sim, ri melhor quem ri acompanhado. Na verdade, cadeira mesmo só quando acompanhado pelos pais, quando com o resto da molecada, nas matinês dos domingos, a arquibancada era o trono!
                Bailarinas, na maioria das vezes acima do peso, mas em uma época em que a ditadura da magreza ainda não reinava absoluta e curvas tinham mais valor do que a finura sem contornos, como a das tábuas das arquibancadas. Trapezistas, que veiculavam histórias de quedas que teriam ocorrido em outras cidades. Assim como fuga de leões magros e elefantes desidratados. A essas histórias crescíamos os olhos. Pios que éramos em nossa ingenuidade infantil.
                Pipoca era o banquete principal, maçã do amor a sobremesa divina, e existia também uma maquinazinha que descascava laranjas tirando a casca em fios finíssimos, tirados à custa do girar de manivela. Depois dos shows podíamos comprar amendoim e dar aos elefantes; o plural é gentileza minha, pois ao mais das vezes era apenas um único animal. Aos leões, dizia-se que davam gatos que roubavam pela cidade.
                Mas os palhaços, sempre tinha um anão entre eles... Um tempo em que acessibilidade era palavra que não existia. Em um circo ou outro eram vários os que se apresentavam. Na maioria das vezes devo confessar, ranzinza desde criança, não achava-lhes graça, diferente de amigos meninos que viam graça em palhaços até pela TV. Daí o sucesso do Bozzo no antigo programa do SBT. Outros tinham pânico, nunca gostaram deles, salvo erro, o Javas era um deles, confessou já adulto.
                Nunca ficaram gravados os nomes dos circos, mas lembro de vários deles, o local, um detalhe em particular. O dia, e se era tarde ou noite, de uma vez que chovia a cântaros na saída, de minha prima Socorro já mocinha, em um vestido vermelho, presente de minha mãe, dentro do qual despontava seu corpinho de menina transformada em moça há muito pouco.
                Hoje, pelos grandes centros, os circos que restaram são imensos, com espetáculos grandiosissímos, e dá-lhe "Cirque Du Soleil", e outros de grifes tão famosas quanto, e de repente me recordo que na infância o mais famoso por esses tristes trópicos era o “Orlando Orfei” - que nunca vi, mas um dos que citei acima e não recordava, se chamava  “Orlando o feio”! Numa paródia risível!  Bem, os pequenos circos ainda existem e resistem, ainda arrancam sorrisos, gargalhadas e "Ohs!" aos bons bocados. Chegam onde a diversão e o dinheiro são curtos, e não importam lona furada, bailarina de meia desfiada, ou se o leão é desdentado. Mas se o mágico serra a mocinha, se o palhaço mostra a cueca, e se tem pipoca maçã do amor e mentex!
                E é isso, hoje tem marmelada? Tem sim senhor. Tem texto no blog? Tem sim senhor. E o redator o que é? Saudosista é o que é...

9 comentários:

  1. Agora entendi o lance da abelhinha no FB, rs. Pra ser sincera nunca fui muito fã de palhaços... talvez seja por ter ido poucas vezes em circos... Mas gosto dos mágicos e trapezistas... pena que hj só os veja pela tv... bjs

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  2. Lembrei-me com seu comentário sobre a existência de pequenos circos resistentes que chegam onde o dinheiro é curto, do filme "Bye Bye Brasil", com sua Caravana Holiday com "ipsilone" (frase de José Wilker no filme). Quanto a palhaços sempre tive medo deles, principalmente depois de assistir ao filme "It" de Sthefen King. Beijos amigo.
    Ana Angélica.

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  3. Ei, amigo lindo!!! Cada texto teu, uma lembrança... Quando catatauzinha, fui muito a circos também, mas o que mais me marcou, com certeza, foram os palhaços, não tanto destes circos mais simples que se espalhavam em terrenos baldios existentes em algumas regiões aqui em Sampa alguns anos atrás, mas lá no Parque do Ibirapuera...Todo dia 12 de Outubro, Dia da Criança, havia O Salão da Criança e o ponto alto eram os palhacinhos...eu simplesmente os A DO RA VA; tenho até foto com eles no picadeiro...ria demais até fazer xixi na calcinha... Verdade!!!Minha mãe tinha que levar calcinha de reserva prá mim, de babadinho e tudo. Depois de "gente grande" cheguei a ir uma única vez no Cirque Du Soleil; são fantásticos, não se pode negar, mas não possuem aquele "corre-corre" engraçado que havia nos improvisos; nos baldes ou nas bacias retendo a água da chuva das lonas furadas (rs); na bailarina de meia desfiada, e etc.
    E o palhaço o que é? Prá mim, uma doce lembrança de minha infância! Cada vez que vejo algum,(palhaço de verdade, né? não de terno e gravata destes em quem a gente vota!!! então...)mas cada vez que vejo algum, visualizo minhas risadas com aquele bando de crianças e isso é bom demais! Beijinho doce prá você, Djair!

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  4. Oi meu querido Djair...vc sempre nos dando alegrias...pois sim fequentei muito o circo no meu tempo era o Circo do Arrelia e do Pimentinha (faz uns par de anos) meus tios que eram os que mais podiam naquela época é que nos levava...lembro da algazarra que fazíamos pra sentar nos melhores lugares e aplaudir até as maozinhas ficarem rôxas...era tanta a alegria...tudo muito colorido...eu adorava...depois comíamos pipoca doce e algodao doce.
    Bons tempos aqueles da minha infância longínqua...quando a nossa única preocupaçao era que chegasse o domingo pra ir no Circo...guardo gratas lembranças desse tempo e vc me trouxe um passado muito feliz.
    Muito obrigada por tuas histórias tao bonitas e verdadeiras que me emocionam muito.
    Beijo grande com imenso carinho...Soni@

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  5. Tinha um terreno desocupado aqui perto, hoje um condomínio com dois prédios, e todo circo que vinha prá região, era armado lá. Não só circos como "parquinhos". Com a solicitada roda-gigante, pista de choque e outros brinquedos que não sei o nome. Tempinho bom! Durante a semana passávamos por dentro da área do circo (cortava caminho prá ir à padaria, empório,...) e a gente ficava olhando detalhes das jaulas, ônibus-camarim-quarto-cozinha, os artistas trabalhando na manutenção do circo,... é Djair, esse circo com nome metido a besta pode ter um espetáculo deslumbrante, as não tem o romantismo e o charme destes do passado.

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  6. Djair, fiquei com gosto de maça-do-amor-não-saboreada na boca! Confesso a você que uma de minhas frustrações é nunca ter ido ao circo. De nenhum tipo! Nem aqueles de grife (e esses são os que menos me interessam), nem os mambembes, pobrinhos, com leões desdentados e palhaços mais-ou-menos engraçados....não sei porque nunca fui ao circo, mas um dia ainda realizarei esse sonho...
    quanto aos palhaços, guardo na lembrança um texto de um livro escolar que li quando tinha seis/sete anos, que contava a história de um palhacinho triste, que tinha que subir no picadeiro e se apresentar com toda sua alegria, embora tivesse o coração partido porque sua mãe estava doente!!! Péssima escolha para um livro infantil, não!? Estou segura que os psicólogos-pedagogos-escritoresdeautoajuda de hoje mandariam queimar os livros e assim evitar que as crianças tivessem contato com sentimentos como tristeza, frustração, perda, morte....quanto a mim, fico feliz em ter vivido em outro tempo, um tempo em que estes sentimentos eram permitidos a todos...fiquei com a imagem (vejo o desenho quando fecho os olhos!) do palhacinho triste, mas que não abandona a vida diante dos problemas e dá o melhor de si para o mundo e para si mesmo.

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  7. ôh...que bela crônica dos idos da infância, amigo! E tão inspirada que li dum fôlego só! Vc precisa e merece conhecer o trabalho que a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo vem fazendo no Centro de Memória do Circo! Busque no google, depois me dê sua sensível opinião. Amei. Grandebeijo. Marfísia

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  8. embora tenha trauma de circo (não vou dizer pq...rsrsr) adorei o saudosismo...dá até vontade de encarar um e, quem sabe? acabar c/ o trauma..rsrsrs pipoca e algodão doce de circo...quem resiste?

    Sil

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  9. OI
    Menininho
    Tudo bem?
    Na minha infancia tb ia ao circo só não me lembro com quem, minha filha nunca foi ao circo e acho que nunca ira,o jeito é cinema e tv
    Velhos twmpos que não votram nunca mais

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