E naqueles dias, Dalva saía da aula as 12:45, ia para casa, cansada,
fazia comida e depois, um cochilo da tarde, pois para quem acordava
às 06:00 da madrugada para estar no colégio às sete e trinta, o
sono pesava, principalmente para quem apreciava os filmes da Sessão
Coruja, sim, existia a hora da sessão coruja...
Vindo então àquela tarde, extenuada, moída de tanto fustigar o
raciocínio na aula de física na qual Igor, o menino veneno que
tirava suspiro das moças, bela beleza plástica e fazia as caspas
virarem mandiopã devido ao esforço que se fazia na matéria. Em
vão, as explicações pouco didáticas não entravam na cachola nem
com reza nem com praga... Mas enfim, vinha ela cansada e pensando se
ia direto dormir e depois comia, ou se comia algo e depois dormia, e
nessa dúvida ouve D. Umbilina, a vizinha de três casas anteriores a
sua.
_Dalva minha filha, vem cá, almoça aqui comigo, hoje sobrou um
tanto de comida que ninguém dá conta.
Dalva não se fez de rogada: _Aceito sim D. Umbilina, a senhora não
imagina o quanto eu fico grata... Nossa, eu ainda ia fazer, e tô tão
cansada, nossa... A senhora é um anjo.
E Dalva mastigou, e Dalva engoliu, e Dalva comeu... Bom garfo, não
enjeitava nada, se era pra comer era com ela mesma... E comeu que
regalou-se. D. Umbilina solícita foi logo dizendo: _Ah, pera um
pouquinho que tem um docinho de banana, fiz ontem você vai adorar.
Saiu para buscar e foi logo gritando em direção a um dos quartos da
casa, clamando a neta: _Ô Jovelina, Jovelina minha filha, levanta
pra me ajudar com a louça... A pia tá até o teto. Eu não dou
conta sozinha, não...
Dalva ficou já de orelha em pé, com a pulga atrás dela...
E D. Umbilina volta com o doce, não sem antes ao passar no corredor
clamar de novo a pobre Jovelina: _Vem menina, bora me ajudar
que essa vida de só comer e dormir não dá certo não.
Pôs o doce à frente de Dalva e foi lá sacudir a neta, que não
respondia e nem aparecia. Voltou com uma xícara de café, mais doce
que o doce que ela tinha acabado de servir, e começou a reclamar
para Dalva...: _Olha Dalva, essa menina... não sei não... Tá vendo
que não dou conta e não vem me ajudar...
E Dalva, compreendendo-lhe a jogada depois de tanta indireta, apenas
reponde: _É D. Umbilina... Essa juventude é assim mesmo... Mas
olha, eu já vou indo, que hoje eu tô com muito trabalho da
escola... A sua comida tava mesmo uma delícia viu!? Precisando de
mim é só chamar tá? Deus lhe pague... Meteu a alça da bolsa no
ombro, os cadernos e livros debaixo do braço e picou a mula.
E assim, deixou para trás D. Umbilina a gritar: _Jovelina...
Jovelina, minha filha... Os pratos...
Foto: Djair - Farofa que acompanha o muzonguê - a ser feita por Verónica, em Lisboa - PT, e que nada tem a ver com o causo.
Oi. Djair, acabei de ler seu texto. E me deu fome... agora, como a foto não tem relação com o causo? V ajudou a lavar a louça depois?
ResponderExcluirAdoreiiii bjos, Le
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirVc me fez rir tanto, que até chorei.
Eu tinha que estar envolvida em suas histórias como sempre.
De vez em qdo eu me lembro dela. Sei que ela foi para o norte e ficou por lá, pois veio à óbito.
ela tem uma filha que mora na casa em que ela morava, mas vc foi direto ao assunto, pois de vez em qdo eu me lembro dessa história.
Do professor Igor, desse eu jamais esqueço, pois me lembro que eu e a matéria de física não nos dávamos mto bem, porém com um monumento daquele, quem não aprenderia? Passei a me entender com a matéria rsrsrsrsrsrsrs
Dalva Vieira Souza
Creio eu que dona Umbilina queria uma 'ajudinha' da Dalva pra lavar a louça...sei não...rsrsrs
ResponderExcluirBeijão,Dja!Bem humorado o causo.
Dani.