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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pauta: A síndrome da reunião

                Uma amiga carente, daquelas que ainda não resolveu os problemas de déficit de atenção da primeira infância, dizia sempre: “Reunião boa é aquela em que você sai dela com outras quatro ou cinco reuniões marcadas!” Para mim, que nunca tive a síndrome da reunião, ou a de palco, era a morte. Nada contra reuniões produtivas, mas o problema é que a maioria delas... não são!

                Uma vez ousei dizer que precisávamos ser mais pontuais e objetivos, ao invés de ficar nos auto-elogiando, dizendo como éramos lindos e maravilhosos; depois soube que haviam dito que eu era muito duro no falar.

                Bem, os adeptos de tais ajuntamento de gente vão me acusar de disfemismo, com certeza, mas o que se nota é: as pessoas não tem o menor respeito com o tempo dos outros. E tome discurso incoerente do tipo: “Isto está resolvido”, e lá vamos nós falar dele novamente daqui a cinco minutos... na mesma reunião! E tome-lhe o mesmo assunto e tatibitate... E você, com licença da enxurrada de gerúndios que o  assunto merece, vai cansando, bocejando, afundando na cadeira, e o saco enchendo, às vezes a bexiga também, e... quando finalmente o orador chega ao ponto final, você ajeita-se na cadeira e respira... ele começa tudo outra vez! Ai de mim... Deve ser o tipo de pessoa pela qual as telenovelas globais fazem flashback no meio e no fim do capítulo, do que ocorreu na primeira parte daquele mesmo dia. Devem ficar felizes da vida. Quem sabe até tenham orgasmos... Multiplos...

                Será medo de não se fazerem compreendidos? Mas raios, se estão entre adultos, aptos e em plena faculdade... Ora pois...

                Ou é a síndrome do palco? A necessidade de mostrar sua oratória, seu conhecimento de tal ou qual assunto? Ou de ser visto. Lembro de Isoldina, uma colega que nas reuniões sempre tinha o que comentar, o que dizer a respeito de tudo, num tom mais alto que os demais. Um belo dia estivemos em um aniversário de uma amiga comum, havia caraoquê (nem vou entrar no mérito da infeliz idéia que não deixou mais que fluíssem conversas), mas quem foi a primeira a pegar o microfone? A própria Isoldina. E canta, e canta, e grita, e berra, e urra, e muge... A tia da aniversariante consegue a custo tomar-lhe o microfone e começa a cantar enquanto Isoldina vai sentar-se em uma das mesas. E na metade da música... levanta e vai cantar junto com a tia, dividindo com ela o microfone! Até que a tia desiste e entrega novamente o microfone a Isoldina, que canta, que berra, que grita... É a mesma síndrome (se não for a mesma pessoa).

                Concluo daí que andam juntas: a síndrome da reunião e a síndrome do palco. A mais das vezes, muita gente com coisas a falar acaba por conter-se e desistir. Recentemente vi uma pessoa pedir a palavra por quatro vezes em uma reunião, sempre sendo dada a palavra a outro, que era interrompido por um terceiro e por um quarto que se alternavam. Nunca soube a colocação ou dúvida a ser explicitada por aquele companheiro!

                Sim, tem gente que mete o bedelho em toda e qualquer colocação que tenha a fazer, depois usa seu próprio tempo, e... pede licença e sai antes da reunião acabar por ter outro compromisso.

                Também tem gente que preside reuniões e usa da palavra mais do que devia. Por seu cargo, por sua necessidade de falar. E tome piadinha, e tome repetição, a anáfora toma conta, pode deixar...
                E ai de quem tem compromisso posterior, ai de quem ainda vai pegar metrô, ônibus ou o raio que a parta para chegar em casa, no trabalho ou simplesmente a sair do lugar da reunião que pode ser remoto, sobretudo quando se tem pólos empresariais, estudantis ou o que quer que seja em diferentes locais. Ou seja: falta de respeito com o tempo do outro.

                Para que uma reunião seja produtiva ela deve ser pontual, dinâmica, sem diálogos ou discussões fora do proposto. Sem que os carentes e necessitados de palco a tornem um catalogo de elucubrações a respeito do que já foi dito. Bem, e antes que o texto se torne o mesmo imbróglio de reuniões, querendo chamar a atenção mais do que devia, encerro por aqui. Comentários abaixo ou se inscrevam pra pauta na próxima reunião!

14 comentários:

  1. Legal, faz parte do bloco "falhas do comportamento
    humano"...
    J

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  2. Menininho
    Concordo, por essa tal de reunião realmente é muito
    stress!!!
    Ainda mais quando sem objetividade,não sou nada fã de reunião
    As de escola são piores sempre no horario da noite que vc esta cansado que chegar logo em casa, ninguem merece!!!!
    bjs
    Menininho

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  3. Já fiquei com sono só de imaginar uma reunião como essas....

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  4. Eu já estive nesta situação de ter que participar de reuniões onde havia pessoa com síndrome de palco. Eu perdia a paciência, divagava, desenhava, suspirava e quando voltava a pessoa ainda estava falando sobre a mesma coisa.
    Interessante, me pareceu que você falava dessa pessoa....kkkkk

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  5. Gostei da atualizaçao
    voce tem sempre tanto que contar ahahahha eu se tivesse que escrever isso seria "pqp, dia chato"

    Helena Rossi

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  6. Prefiro comentar,kkkkkkk..
    Eu tenho um total PAVOOOR de reuniões.Geralmente são improdutivas,e mais parecem-me aquelas missas intermináveis em latim,onde ninguém entende nada.Não sei se estou sendo muito pessimista,mas minhas experiências não me permitem ter outras convicções.
    Eu geralmente falo muito,mas quando estou em uma reunião,me travo,porque sinceramente,é muita gente "dando pinta"e eu não aguento isso,me dá coisas profundas na alma.Muita inutilidade e futilidade juntas.
    Beijão,Djair!Dani.

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  7. FALOU E DISSE.

    BJOS...SONI@

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  8. Djair, boa noite!

    Você foi irônico e certeiro! (Pena que não possa ouvir meus aplausos daí!...)
    Detesto reuniões e as acho TOTALMENTE INÚTEIS!
    Todas as coisas que resolvi, foi falando diretamente com as partes interessadas. Se surge alguma pendência sobre isso ou aquilo, é só localizar os responsáveis, e pronto! Pra quê envolver uma equipe inteira????
    A "síndrome das reuniões" é a mesma do "palco" - como bem argumentara você- e a da "melancia na cabeça" (é gente que quer aparecer a qualquer custo!), o que deixa pessoas responsáveis, as ávidas em resolver algo relevante, com bocejos visíveis e audíveis... (rs!)
    Se quiser ter quase certeza de que vou dormir em algum lugar ("quase", porque a educação me impede)é me convidar para alguma reunião em prol humanitário!
    Geralmente, em nome de uma ideia de ajuda ao semelhante, os "aparecidos" falam tanto, dão tantas voltas, para explicarem o óbvio: PRECISAMOS DE UMA QUANTIA X PARA COMPRAR SUPRIMENTOS! (Bem que eles podiam poupar o nosso tempo, não é mesmo?)
    Sobre o retorno aos nossos lares, parece que você me viu voltando de uma dessas reuniões!
    Eu xingava tanto porque, devido à extensão do falatório besta, cheguei em casa quase dando meia-noite, cansada, derrotada, tendo que tomar banho e ainda jantar! Detalhe: tinh que acordar cedo no dia seguinte...

    Um forte abraço!

    Artigo fabuloso; OBRIGADA por tê-lo escrito e postado!!!!

    Mary:)

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  9. Muito interessante. Eu começo a rabiscar e ler outra coisa. Ontem a formação foi assim. Ai meu Deus as reunioes escolares tambémmmmmmmmm, abrços Carminha

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  10. Vários flashbacks...risos...felizmente, tenho me livrado um pouco dessa sucursal do inferno na terra. Faço reuniões por skipe. Ou você é objetivo ou passa parte da tarde tentando refazer a ligação...aproveita-se cada momento em que o negócio funciona e a pauta flui rapida e certeira...queria só fazer assim...
    Só mais uma histórinha, sem fugir do assunto. Certa vez meu ex-marido - que é funcionário público - foi a uma secretaria de estado para uma reunião. Chegou cedo e se anunciou ao porteiro solicitando acesso ao local. O porteiro bem objetivo perguntou: o senhor veio trabalhar ou veio prá reunião? Eu acho que esse porteiro deveria ser promovido a secretário de estado. Nossas políticas correriam muito melhor... bjs, Wânia. Aquela que não é curiosa mas não resistiu em fazer uma visitinha :)

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  11. Reunião produtiva? Só sendo como a cobra: foco na vítima, pegou, traçou! Mas o homem (gênero; sem melindres!) governado pelo ego, pelos sentimentos, pensamentos, paixões, etc, etc, a objetividade que se dane, já que outra e mais outras, serão marcadas! Pressa prá que????
    Respeito pelo próximo, seu tempo, sua paciência, sua inteligência, é luxo, atributo de pouquíssimas pessoas!
    E como tem muitos índios querendo virar cacique, fica a lição: cuidado com a tendência da "repetição" e segure o seu pavão!
    bjks

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  12. Me lembrei das várias reuniões de condominio de q participei...um horror!!! Demoram horas e vc entra e sai do mesmo jeito: sem nada resolvido!!!
    Enqto puder evitar, dificilmente irei à uma reunião...rsrs

    bjss

    Sil

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  13. Adorei, Djair!!! Vamos divulgar este post!!! Reunião de condomínio, entre outras, realmente é exemplo desta síndrome REUNIÃO / PALCO!!!!

    Esta pessoa que afirmou que “Reunião boa é aquela em que você sai dela com outras quatro ou cinco reuniões marcadas!” deve ser tratada imediatamente!!!kkk

    Adriana

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