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domingo, 11 de abril de 2010

Penedo

A cerca de 3 horas e meia de Maceió, encontra-se a cidade de Penedo, repleta de igrejas e de casarões imponentes que, na sua maioria, estão em perfeito estado de conservação. Servem de guardiões à história local, forjada no tempo de um fausto comércio às margens do rio S. Francisco que, ainda de águas limpas, banha moradores, visitantes, e enche os olhos de quem o visita, com águas verde-azuladas e margens com extensos coqueirais.



As igrejas tomam conta da paisagem com suas torres dominando o skyline que só é agredido por um prédio de hotel, visto do meio do rio ou do outro lado deste, na sergipana Neópolis, nascida Vila Nova. No entanto, quando é visto da própria rua, o hotel (de arquitetura moderna dos anos 50) integra-se à paisagem bucólica e romantizada da cidade, bem diferente do criminoso shopping (?), uma galeria de lojas (acredito que o seja, pelo minguado tamanho, não pode ser mais que isto, mas me recusei a entrar), que descaracterizou completamente um casarão a título de um falsa modernidade.

O casario colorido típico do Nordeste está presente nas casas mais humildes, antigas e atuais, que casa perfeitamente com o antigo art-decô onipresente. As ruas bastante estreitas do centro antigo ganham movimento a cada balsa que estaciona no cais, tanto que a cada vez que passam cinco ou seis carros com a velocidade moderada pelos paralelepípedos se pode dizer com segurança: A balsa chegou!

Arriscando-se pelas ruas que levam ao interior da cidade, vê-se o colorido semelhante nas casas, e os quintais repletos de frutíferas transmitem a mesma alegria bucólica dos frangos e galinhas a ciscarem pelo meio da rua. De repente o ar enche-se de zumbido e meio parvo constata-se... Cigarras... Sim, são elas que ainda existem e enchem o ar com seu... Sì, sississi...

Na pousada em que ficamos, em frente à praça do correto, se havia alguma dúvida quanto à ficar lá, acabou quando Maria, a senhora que cuidava da cozinha, e de quem a arrumadeira tirava sarro o tempo todo, respondeu a nossa pergunta: “_Tem café da manhã?”, com um enorme sorriso e a seguinte resposta: “_Tem, tô fazendo um bolo de mandioca pro café de amanhã, e vou fazer tapioquinha também!!!” Bem, melhor que isto, só foi saber que tinham quarto com ventilador, muito melhor que o ar condicionado, que não gosto e tive que suportar em Maceió. Mal tomamos banho e nos aprontamos para começar as andanças e o cheiro do bolo inundou o corredor.

Descendo a rua em direção ao centro, ao chegar a beira da balsa... Milho assado!!! A espiga grande r$1,00, a menor  r$0, 75, e como se usam moedas por lá... O museu local, assim como a Casa de Penedo - um pequeno e bem cuidado centro cultural, mantido por um mecenas local - preservam objetos da época da visita do imperador D. Pedro II, e baba-se com os jogos de louça de porcelana, Francesa, Inglesa, Alemã... Aliás, uma das escarradeiras de porcelana já me faria bem feliz!

Em uma das igrejas, a de Nossa Senhora das Corentes, datada do século XVIII, vi algo realmente inusitado: não possuía bancos, cadeiras, ou o que o valhe-se. Mas logo a informação veio. Na época as pessoas traziam tapetes para sentar; os abastados, seus tapetes persas, os humildes, esteiras de palha! Nunca havia visto/ouvido isto em lugar algum.

As pessoas, ao contrário da capital, são cordiais e  transmitem ar de calma e alegria, e sempre respondem o bom dia, boa tarde, boa noite... – Uma vez em São Paulo, cismei pela manhã em dar bom dia a todos que encontrasse, e o fiz do metrô Ana Rosa à Cinemateca, e apenas uma senhora retornou o bom dia! Deus a abençoe. – Às vezes vêem-se senhoras na janela acompanhadas do radinho, e em algumas casas ao final da tarde, familiares colocam seus doentes sentadinhos à porta a fim de tomarem o ar fresco do ocaso.

Infelizmente o cinema local está fechado, e à venda – Ah, se eu pudesse... – Após ter sido palco de prestigioso festival nos anos 1970/80. A Casa de Penedo guarda as poltronas, e outros objetos que pertenceram a ele, mas dentro, espiando-se por uma fresta, botam-se três lindas cristaleiras que também deveriam estar no museu, ou em minha sala pelo menos.
Aos finais de semana, abre-se um bar às margens do rio, aliás mais de um, onde se pode ser feliz ao fartar-se com um tambaqui (de tamanho médio) inteiro grelhado, acompanhado por salada de tomate e farofa; ele mais quatro cervejas não saíram por mais de r$25,00. O único problema é a música, pois lá também os refinados donos de carrões tem que exibir a potência de seu som... Mas paciência, cada um exibe o que tem. 


Fotos: Djair - Vista parcial a partir de barca no rio S. Francisco.
                  - Vista de um bairro afastado a partir do alpendre do colégio em frente a praça do correto.
                  - Altar-mor da Igreja de Nossa Senhora das correntes.
                  - Igreja de São Gonçalo Garcia.

7 comentários:

  1. É Djair, quando você descreve as coisas tudo fica mais bonito. Ou mais real, só vou saber se for até Penedo.
    Pelo que li, parece uma bela cidade pra se visitar acompanhado de alguem querido e esquecer do mundo. Pra quem preza cultura (que sei ser seu caso) deve ser um passeio e tanto!
    Você moraria em Penedo?

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  2. Fiquei com vontade de comer o bolo de mandioca... rs

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  3. Quero ir amanhã para lá!!!!!!
    PS: você tá mais afiado a cada post que passa.
    Bjão!
    Myrna

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  4. Meu amigo quando você escreve tem o dom de fazer cada paisagem, igreja e local parecer muito melhor do que é.

    Parabéns pelo seu dom abração do amigo Cleber/Graciliano

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  5. Sim Vitor, moraria. Com toda certeza!

    Bem Rô, só tem um jeito, ir até lá nas próximas férias... Espero que não estejas grávida! rsrs

    Obrigado Myrna, vai sim, vais amar!

    Obrigadão Cleber.

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  6. Fotos apaixonantes e um texto com detalhes de quem tem a sensibilidade para descrever um povo, uma cultura. E, sinceramente, nada me fascina mais que falar do nosso povo. E quando tenho a oportunidade de ler algo tão bom, nem há o que se falar. Apenas ir a Penedo e desfrutar de tudo isso. (prá quem não tem o que falar, já falei muito!)

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  7. belissimo texto ...=]

    ALAN COSTA

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