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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Vuvuzelas e outros barrulhos



A bola da vez das reclamações nessa Copa, mais que contra a arrogância de seleções, técnicos e mesmo dos argentinos, tem sido a tal da vuvuzela.
 Até o jogador português Cristiano Ronaldo referiu à polémica corneta: "Mas há algum jogador que goste? " Acho que todos ficam irritados.

Blogs, colunas de jornais, comunidades em redes de relacionamentos, todos a criticam...

É óbvia a irritação que causa, mas realmente o problema é só ela? O problema é a má-educação que se alastra como um câncer por todos os lados... Afinal, já não existiam por aqui as terríveis cornetas há mais de década? Só mudou de denominação, agora, pela necessidade de dar um nome ao modismo esparramado pelas redes de TV. É praticamente como o ritmo baiano de música, que permanece praticamente o mesmo e a cada dois verões é noticiado como algo fantástico e ganha novo nome. 

No primeiro jogo do Brasil, eis que a neta da vizinha em frente, que por ser criança até se compreende, estava lá com a sua, a infernizar os ouvidos da rua mas, se Deus quiser, há de estar com cãibras nas bochechas (que já não são pequenas), até agora.

Mas já não andamos suficientemente irritados com as buzinas que alguns insistem em tocar como se fosse a Nona Sinfonia de Beethoven? Seja o trânsito ou em frente à própria casa ou a dos outros a fim de que lhe venham abrir as portas? Com efeito, as campainhas parecem ter caído em desuso, porque ninguém mais pode descer do carro e dar dois passos até elas.

O som de CDs  dos carros, então, nem se fala. Não importa a hora, se é dia ou noite, seja o negrinho do funk, o pittboy da academia ou a caboclesse dorée abastada que desfila em seus 4x4. Ou ainda os mauricinhos e pats com seus bate-estacas. A necessidade de mostrar a potência do som (será porque falta potência em outro lugar?) é generalizada.

Mas não para por aí o barulho nosso de cada dia...

Em shoppings, metrôs e ruas veem-se jovens e nem tanto, a berrar como se sua vida dependesse dos outros verem o quanto estão felizes, o quanto são espontâneos e alegres... Aliás, por falar em shopping, me é estranho como as pessoas gostam de se acotovelar para comer nas tais praças de alimentação, onde se tem que gritar para ser ouvido pela pessoa que está do outro lado da mesa, pois o alarido estafante é tamanho que quando se percebe se está também a gritar. E assim a elegância vai pelo ralo, como um líquido se arrastando moroso até o esgoto.

Moro próximo ao aeroporto de Congonhas e últimamente por volta das 06:00 tenho ouvido barulhos cada vez maiores e mais estranhos, às vezes até comento que devem estar utilizando carroças aladas, Não é à toa que volta e meia alguma dá problema, mas afinal não fossem elas e a chuva nada cairia mesmo do céu.

E os celulares? Outro dia quase teve briga em uma biblioteca. Um rapaz a tentar trabalhar no laptop o texto de sua tese e uma moçoila a deixar o celular tocar várias vezes em alto e bom Pop (acho que é assim que se chama a atual leva de música estadunidense). Afinal, não se pode atender na primeira chamada, todos tem que compartilhar seu magnânimo gosto musical e ver que vem do celular "dela". Após isto, da-lhe a conversar as asneiras sobre o fulano, mas aí a sicrana disse... E tome-lhe assunto, em agudo altissonante. O rapaz levanta e pede-lhe que fale mais baixo, e ela, por pirraça, jogando o cabelo alisado e louro-cinza-médio-claro, ou outra nuance próxima, capricha ainda mais no agudo e tom. Ele dirige-se à senhora do balcão de atendimento para que interceda, o que só então ela resolve fazer; observando isso, a tal moça rapidamente recolhe caderno e canetas e sai da biblioteca em desabalada carreira, a fim de não ter a atenção chamada por quem deveria inclusive ter podado desde o início dos toques.

Por tudo isso me pergunto... São as vuvuzelas as culpadas ou a falta de educação , tranvestida em necessidades como exibir toques, apertar buzinas e bradar a alegria que apenas ganhou um novo brinquedo? 

Ilustração: Imagem da internet: 

12 comentários:

  1. Djair querido
    As tais vuvuzelas, netas das cornetas são todas filhas da má educação, como você bem apontou. Os celulares em qualquer lugar e horário são de uma impertinência absoluta. Os "toques" então, nem me fale. Demonstração de grosseria e de mau gosto ímpares. Outro dia estava em muma apresentação da cantora Mônica Salmaso, conhecida pela delicadeza e sofisticação de repertório, quando em meio a uma música, toca o celular de um infeliz com o som dos Bees Gees! Ela, com classe e ironia disse: "Tem certeza?" (risos). Pois é meu amigo, é por estas e outras que viver em grandes aglomerados humanos como São Paulo está cada vez mais difícil, pois a cada dia perdemos um pouco mais nossa "humanidade". Beijos

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  2. Nossa, diante do texto da Marina, só me resta assinar em baixo. Mas apenas a título de ilustração, estava também eu em uma apresentação de um educador, cujo nome não recordo no instante, sobre metódo Paulo Freire de ensino, e também toca o celular de um dos presentes (Todos da àrea de Educação), com uma dessas musiquinhas absurdas.

    O Sr. que fazia a apresentação apenas olhou para o cidadão e disse: "_Melhor atender, deve ser importante!"

    Risos de todos...

    Ana

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  3. Quanto as vuvuzelas (não tinha um nome mais fácil?), no primeiro jogo do Brasil fui infernizado até a madrugada. Não pensei em cãibra nas bochechas (impublicável). Nos celulares, algumas pessoas falam tão alto que até questiono se precisa mesmo do celular, acho que a outra pessoa pode ouvir os gritos dela. Porem, tudo isso é exatamente o que você coloca: pura falta de educação.

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  4. Pois é, tirando a parte engraçada (as bochechas da vizinha, rs)o que sobra não passa de falta de educação mesmo... Vc esqueceu apenas de citar aqueles que se "esquecem" que celulares são equipados com fones de ouvidos e resolvem ouvir (e nos obrigar a ouvir tb) seu gosto musical duvidoso nos ônibus e metrôs. Digo duvidoso pq, mesmo embora todos tenham a liberdade de gostar do que quiser, nunca ouvi alguém educado ouvindo música alta em transporte público, então penso que funk e afins pertençam ao gosto musical dos desprovidos de educação...

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  5. Caro Djair, estamos aos risos com este texto. A cara da menina com a buchecha em caimbras, ai é só uma aqui na rua são varios. vamos torcer para dar caimbras neles. No ultimo jogo ontem, pedi para as crianças pararem um pouco. Eram 8 horas da manhã, imagine. Quanto a educação ....cada dia pior e sempre me passo por chata. Grande beijo

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  6. Louro-cinza-médio-claro??? Rsrsrsrsrsrs Na minha cabeça já vi um monte delas, conhecidas e desconhecidas rsrsrs Qto à musica alta no carro...culpada! Tbém faço isso, não c/ tantos decibeis mas o suficiente p/ entrar em outra dimensão rsrsrsrs bj

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  7. Até gosto da invasão das vuvuzelas (o nome corneta é tão mais fácil...)comparado ao esparramo físico das manadas matinalmente no metrô. Em quesito de má educação, atualmente acho melhor ficar surda do que ser pisoteada...
    Pessimismo? Talvez...
    PS: o seu café é bárbaro! Além do cheiro e do sabor, uma xicrinha (ou xicarazinha?? que branco!) cura dor de cabeça em menos de 2 minutos. Uma overdose de cafeína! É o fim das neosas e novals!

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  8. Compartilho contigo a opinião que as cornetas já existiam no Brasil, bem como os corneteiros, e que simplesmente inventam-se novos nomes para se vender mais. Aliás, semana passada estive na 25 de março, e logo pude observar que é um dos artigos mais vendidos. Não resta dúvida, já é uma epidemia em nosso país.

    Não tenho nada contra as vuvuzelas e creio que as crianças adoram. Talvez porque me lembre a infância, quando ia ao Parque Antárctica para assistir aos jogos do Palmeiras.

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  9. Bom, esse som ensurdecedor que invade nossos timpanos em todos os ambientes que circulamos é inevitável, mas até que dá para suportar, afinal é um período tão curto a cada 4 anos...

    Agora, infelizmente, no que diz respeito à falta de educação dos indivíduos, só nos resta muita paciência. O fato é que sempre presenciaremos, de variadas formas, situações de desrespeito e grosseria, principalmente por parte daqueles que não medem esforços para chamar a atenção.

    Talvez para algumas pessoas, se destacar entre os mortais significa sinônimo de poder... Sei lá... rsrs... Freud explica!

    Quanto à responsabilidade da Rede Globo pela massificação do termo “Vuvuzela” (a palavra do ano), com toda certeza Cidadão Kane explica!

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  10. Aliás, o que não é massificação, vindo da Globo??? Isso é para se pensar em casa. Mas, pessoal, se preparem para a copa aqui no Brasil, porque essas cornetas (nome mais bonitinho e sem Globo no meio) vão nos deixar surdinhos...

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  11. Achei linda a imagem que você colocou!

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  12. Di,
    Seu humor irônico me faz rir, mesmo tratando de um assunto tão irritante.
    Você está ótimo querido!

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