“Saudade é arrumar o
quarto de um filho que partiu.” A frase em uma pichação em letras negras sobre um
muro branco, ficava num caminho que fiz por anos do trabalho à casa...

Quando parti, minha
mãe não arrumou meu quarto. Entregou de bom grado aos usurpadores para o
destruírem. A Cama e guarda-roupas de casal foram os primeiros a serem tirados
para serem usados pelo filho dela e àquela que ele havia arrumado em um posto
em beira de estrada. |Nem a cama onde gerou um dos filhos ele comprou. Óbvio
que o parelho de som também. Não importava que ela tivesse-me convencido a
pagar a metade de um outro pouco tempo antes, - aquele que o filho dela tinha
comprado com um primo para fazerem festas, o negócio, como tudo que ele pôs
obvio não deu certo, e ele como sempre a fez convencer-me cair em mais um
estelionato, o “som” seria de nós dois. Som pago, a primeira coisa que ele fez
foi colocá-lo em seu quarto que mantinha trancado a chave – Porque??? Melhor
não elucubrar... Claro que como sempre ela deu todo o apoio. A ele...
Não à toa por muito
tempo acreditei até que eram incestuosos.
A Estante, a sujeita
mandou cerrar para fazer um porta panelas. Claro, com aval daquela que deveria
cuidar do que ali estava. Os livros? Jogados fora, por cima do muro num terreno
vizinho (como faz gente porca), depois queimados, junto com álbuns de selos que
hoje valeriam uma pequena fortuna e que eu colecionava desde a infância.
Os discos, o frigobar,
o carpete que cobria o chão do quarto, o móvel de madeira sob medida para o
som, tudo destruído. Como se quisessem mesmo apagar minha existência. Afinal,
eu só importava na hora dos muitos golpes aplicados, o dinheiro para um freezer
horizontal para o bar onde eu seria sócio, e que a sujeita depois vendeu e
embolsou, o dinheiro para camas e ar-condicionado que tomaram emprestado a meu
companheiro, e nunca pago, quando resolveram montar uma pensão.
Quando resolvi construir
casas para aumento de minha renda gastei todas minhas economias, eram três
casas, uma o aluguel seria para minha mãe(?) e as outras duas para mim. Com as
brigas constantes do casal usurpador minha mãe acabou-se por mudar para uma
delas, o aluguel das outras duas ela disse, uma vez, que ainda não dava pra
mandar-me, e assim, nunca os recebi, até hoje, passado um ano de sua morte,
continuam a morar numa casa que é minha, e que não demonstram sinal de sair,
aliás, foi ela mudar-se e lá se foram morar com ela, destruindo a casa que
seria de minha mãe, e que numa maldita hora permiti que colocassem em meu nome
e do filho dela, apesar de termos sido eu e ela a comprar o terreno e construir
a casa. O bom gosto da sujeita deu as ordens, tiraram as portas e janelas de
madeira pois iam colocar de alumínio. Sim, nem Freud explica. Quando perguntado
disse que era contra, mas como sempre minha palavra nunca valeu nada, como meu
dinheiro? E começaram o a obra(?) portas e janelas arrancadas, paredes
derrubadas, e... desistiram, está assim há mais de 20 anos, esperando de certo
que o trouxa aqui pagasse a reforma, mas dessa vez não.
Nem a decência de
limparem a casa tiveram, calcinha velha, livros didáticos antigos e toda sorte
de lixo que deixaram quando saíram permanecem lá.
Minha mãe também dizia
que “existe pobreza e existe ‘mundiça’.”, tá bem ilustrado.
Bem, teria infelicidades
e pequenos golpes sofridos a escrever por horas, mas a pichação, mote do texto, já não existe,
o muro também já não existe, nem minha(?) mãe. E nem o quarto, pois deixaram
que os cupins vindos da arvore de um vizinho, onde não se podia cair uma folha
de uma fruteira nossa, avança-se sobre ele e... Enfim...
“Saudade é arrumar o
quarto de um filho que partiu.” A minha(?) não arrumou o meu. “Minha mãe” só
teve um filho, e não fui eu.