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sábado, 10 de janeiro de 2015

Retorno


E aí, deu-se a mudança, não apenas de casa, não só da cidade ou de estado, o estado geográfico pelo qual se nomeia uma região composta de terra e água, conglomerados de construções a que chamam urbes e campos… Mas de estado de espírito, mudança de emprego, que se ainda continua público, muda na forma de prestar serviço, na forma de tratamento dispensado e recebido, do chefe para o público, ambos mais humanos e estimuladores.

Novos conhecimentos, novos círculos que se interseccionam e formam outros, alguns mais ou menos duradouros e firmes, outros como bolhas de sabão lançadas ao ar, vazios e por isso mesmo de pouca duração. Introdução em círculos literários onde egos, mais densos que seus escritos, brigam por brilhar, enquanto suas frases, nem sempre coordenadas, não sofrem desbastes, ajustes, burilamento. O ego que empunha a caneta, o teclado, o giz, não o permite. Tudo aquilo que lhes brotou, não se lapida, não há poda. O ego afirma: É bom, fui eu que o escrevi, o outro que se esforce por me entender e se curve a meu gênio. Se é meu, é bom – parecem gritar.

E aí, eu que tenho severidade com meu ridículo original, me retraio e não consigo produzir mais nada.

Me afasto, me castro, travo!

Eis que vem a nova viagem, férias obrigatórias que não tenho como adiar, e então vou às origens, ao que sou, ao que sempre serei, independente da camiseta surrada e manchada ou do terninho de grife.

Vem salvar-me minhas próprias pegadas, a gente simples, o papo livre, sem se precisar cuidar do que me sai à boca. Sem precisar parecer inteligente.

É o pedaço de madeira que vem salvar o náufrago. A ele me agarro, boiamos, e ao chegar ao que penso ser terra firme esse mesmo tronco se faz fogueira, que seca, que aquece, que ilumina.

Prajalpa... estou de volta.


Foto: Djair - Estrela do Mar - Praia de Camburi
Jardim Camburi - Vitória - ES

4 comentários:

  1. Na verdade o retorno ocorreu três textos atrás, e esse foi refletindo sobre como vieram tão fácil depois de dias do mais completo jejum.

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  2. Lembro do aconchego de quando estou com meus parentes no interior, gente simples que não se esforça para parecer o que não é
    Gostei. Parabéns.

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    Respostas
    1. Pois é Ivone, é nas origens que somos nós mesmos! :)

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  3. Um homem se faz de suas origens.Um homem se faz de letras.
    Simplesmente,emocionante!!!

    Beijão,Dja!
    Dani.

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