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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pegue o saca-rolhas.

 Quando fazia o colegial, ao voltar pra casa na sexta à noite, parava na casa de Samara. Sempre tinha um vinho a nos esperar. Quase sempre um  ‘flacon de sang de boeuf’  ou em bom português, um garrafão (do velho e bom) sangue de boi, naquela época,  o mais comum e disseminado pelas terras tupis. Sempre gelado. Aliás, outra coisa que não faltava na casa de Samara eram latas e latas de feijoada, que depois do vinho, ao final da noite, saboreàvamos, picando um pimentão, uma cebola e um tomate para fazer render. Tínhamos estômagos fortes, e ninguém saía antes do vinho acabar. E quando íamos fazê-lo, Samara sempre clamava que ainda era cedo, que ficássemos mais um pouco, etc, etc... Em uma demonstração que sua carência era maior que a minha. 

Outras tantas vezes, era com Adélia que ia tomar vinho; pegávamos o violão do Vitor e... mas esta é uma peripécia que vale uma postagem só sobre o assunto. Descíamos ao cais com o violão, um garrafão de vinho e uma caixinha de isopor repleta de gelo. Adélia toca, fazíamos repentes, bebíamos, ríamos a valer. Lembro de Godô, diminutivo de Godofreda, uma loura (natural), bonita, que às vezes nos acompanhava, e não bebia. Só chupava gelo. Uma vez a convidamos para almoçar, oferecendo como menú gelo em diversos formatos. Aos puristas que se chocam com o colocar de gelo no vinho, nossos lamentos, pois não conhecem o calor de Floriano, e sim, vinho se bebe à temperatura ambiente... De Paris, no inverno, é claro. Pior fazia o marido de uma colega de faculdade nos anos 1990: tomava vinho com coca-cola. Apesar de ser dado a experimentações, passei.

Pois bem, na época dos fatos descritos, cá nesse pedaço dos trópicos, os vinhos tidos como finos eram Almadén e Chatêau Duvalier. Tomávamos a valer, e depois vieram os alemães, e todo mundo que queria ser fino tomava Liebfraumilch, que depois caiu em desgraça, assim como os “garrafas azuis” que os sucederam. Eram o “the must”, até a revista/bibllía da classe média mostrar em uma reportagem que eram da pior espécie por lá. E aí, rapidamente foram banidos de mesas e despensas.

Vieram os Lambruscos, que até hoje adoro, de rápida ascensão até o Prosseco lhes roubar a fama e tomar-lhes o lugar em todas as recepções e coquetéis.
 
Uma conhecida, tida por muito fina, sempre que estava com a adega vazia chamava a turba à sua casa para recepções à base de vinho. Homens levavam vinhos, mulheres acepipes, queijos, castanhas e assim, ao final da ocasião, ela estava com adega cheia - sempre se leva mais do que se bebe, afinal. E ela mantinha a pose de ‘quatrocentona’ paulista. Na verdade, alguns poucos sabíamos, até pelo nome de solteira, era mesmo carcamana, mas posava muito bem, no château de Higienopólis.

Carmem Lúcia, esta sim, finíssima, serve vinho branco primeiro, às dúzias, da mesma marca, de sua própria adega, com entradas deliciosas e depois com os pratos quentes, o tinto.

Uma das coisas que mais apreciava na Espanha, é que em todas as refeições, do mais fino restaurante aos bistrôs iranianos, acompanha sempre uma garrafa de vinho, e lá se pode beber o vinho da casa sem sustos ou sobressaltos. Aliás, nada como o vinho nacional servido na Europa! 

No primeiro porre que tomei de vinho, morava em Praia Grande, só, e era meu aniversário de vinte anos, sem parentes ou amigos por lá. Saí a beber na praia à noite, uma garrafa de dois litros de Chateau Duvalier. O dia seguinte foi uma das piores ressacas já vividas por este escrevinhador que vos conta esses causos.

O último não foi exatamente um porre, até porque ninguém me aporrinhou, mas um pilequinho, na casa de Alex e Roberta, há algumas semanas, o papo tão bom, o ambiente tão agradável que o vinho descia com a suavidade de uma garoa, sem se perceber, mas encharcando... 

O próximo? Bem... Aceito convites.

7 comentários:

  1. Nunca aprendi a beber vinhos =/

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  2. ai que vontade de tomar vinho, menininho, justo agora que sestou tomando antibiotico< vc adivinha meus pensamentos de novo!!
    e ai por falar em porre uma vez a muito tempo atras tomei , que tragedia meniniho,nem queira saber!!! Na epoca eu morava sozinha, vc imagina a situação!!!!
    bjs

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  3. O primeiro de porre de vinho a gente nunca esquece. O meu primeiro foi numa festa de confraternização dos funcionários da Editora Abril, no fim do ano de 1980, uma semana antes do meu casamento. Meu noivo estava presente, dei vexame, desacatei o diretor, quase perdi o emprego e o casamento quase foi pro beleléu, por conta de uma briga, resultante do porre.
    Com isso aprendi:
    - Quem não sabe beber, bebe leite!
    - Em festa de confraternização não exagere na bebida, especialmente se o diretor estiver presente.
    - Ressaca de vinho é uma coisa inesquecível!

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  4. Meu primeiro porre foi de vinho.Eu tinha uns 10 anos..Era natal,vi uma garrafa de vinho sobre a mesa,pronto..só me lembro depois de estar numa cama de hospital,kkkkk,que natal inesquecível.Um dia eu conto o fato do litro de amaciante sobre a pia..era rosinha me parecia tão gostoso..eu tinha 6 anos..
    BJão,Djair!Uma semana linda para ti,viu?Dani.

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  5. O próximo?
    CONVIDO AO MEU AMIGO DJAIR A VIR TOMAR UM BOM VINHO EM MINHA CASA.
    Convite feito. Bjs.
    Ana Angélica

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