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| Foto: Djair |
Alma, coração ou outro órgão qualquer onde se guardem os sentimentos.
Quase tudo se rói,
Amores, ódios, amizades, lamentos.
Hoje tudo está roto,
Como a figueira sem figos ou a roseira sem brotos.
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A
calcinha, da festa, aquela cara, que ela usara pela primeira vez,
ficou ali mesmo no cesto de papéis, e com papel higiênico ela
tentava limpar coxas, pernas, flancos... O vestido, não sabia como
ou por qual sorte não havia sido atingido. Na torneira, parcos
pingos caíam, impossibilitando uma melhor higienização, o
desespero que parecia não ter como piorar provou como sempre que o
pior não tem limites: começou a ouvir a buzina do ônibus, que o
motorista tocava com pressa e nervosismo, dando a entender que ela já
devia estar de volta a seu assento há algum tempo. Limpou-se como
deu, a meia calça que tinha na bolsa foi juntar-se à calcinha nova
no cesto, aprumou-se, ergueu a cabeça e entrou no ônibus, pedindo
desculpas ao motorista, desconfiada, envergonhada, vencida.
E assim, depois de três meses de exílio, resolvo voltar ao Facebook. Um tempo bom, de irritações diminuídas,
a agradecer aqueles que preocupados com minha ausência procuraram números
antigos e acabaram por me ligar no fixo, gente que via blog e e-mail mandou
notícias, outros que mandaram zaps e sinais de fumaça de diversos outros tipos.
Como se diz na atual modinha: “Gratidão”! De verdade. Por outro lado mais de
duas dezenas se foram, de vez??? Se assim for... Bye, bye baby, bye, bye... Embora alguns façam realmente grande falta.![]() |
Quando,
nos dias de finados, visitávamos as sepulturas de meus avós, eu, já
desde cedo, era o incumbido de cortar as flores do jardim. Morávamos
próximo de uma área já às entradas de uma reserva, à beira do
morro onde, se adentrando um pouco, logo iniciaria a reserva dos
Pilões. De lá, voltava com margaridas selvagens, amarelas,
daquelas que se esparramam como trepadeiras, helicônias variadas, e
ramas de manacás, mais difíceis de apanhar pela altura dos galhos…
A mais das vezes o grande sucesso, quem o faziam eram as hortênsias
do jardim de casa, os antúrios dos vasos de mamãe, que juntados às
folhas de samambaias iam repousar e morrer também, elas, nas
catacumbas de entes amados.![]() |
| Igreja matriz de Ubatuba. Foto: Pref. Mun. Ubatuba |
Alexandra, sempre chocada, manifestava-se baixinho, acreditando ser
confidente dos segredos inenarráveis de Rose. Pois bem, chegou o dia
que soube-se que ela não estava grávida, que como lhe afirmava
Rose, tinha sido rebate falso, como se diz. Só que agora ela estaria
gostando de mulher. Alexandra, como já o dissemos, era uma senhora
entrada em anos, e ouvia a colega, tentando aconselhar sem
preconceitos, até que Rose lhe declarou que ela era a mulher por
quem estaria apaixonada. Deu para Alexandra, que barra ali mesmo
quaisquer tentativas sentimentais de um contato, digamos, mais
carnal.
Já
o mal talvez seja tão ruidoso porque nunca se sacia. O ódio nele
contido fermenta e cresce sem limites. Como um câncer. Afinal o que
é o câncer senão o descontrole, um crescimento sem limites de
células podres? Assim também é o mal, aqueles que desejam o mal
dos outros jamais se satisfazem, uma pequena maldade que deu certo e
já estão a arquitetar a próxima: uma fofoca, uma puxação de
tapete, qualquer ato que possa tirar um pouco o sossego da vítima.
Aos olhos desses pequenos carrascos, ainda por cima, a vítima é
sempre ele mesmo, o outro é sempre o culpado por seus males, sejam
eles quais forem. E com vorazes apetites de vinganças seguem em seus
planos de perturbação; se não os executam, fomentam outros, ou
como serpentes que vivem do próprio veneno, segregam vibrações
negativas em direção ao outro sem perceber que chafurdam eles
mesmos nesse denso e enxovalhado caldo. A mais das vezes, nada
ganharão com aquilo, é apenas o prazer de fustigar o outro, de
fazê-lo perder tempo, paz, sono, saúde.
Bem,
desde o fim da adolescência não sou de lavar os tênis; como sempre
disse: eles perdem a personalidade, a história de por onde andaram e
as marcas do que pisaram...