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quinta-feira, 24 de abril de 2025

Sem paciência

 

Últimamente tenho baixa tolerância a gente portadora de burrice natural, não falo de gente humilde, ou sem oportunidades, mas daquele tipo aluno de curso superior, que chega e quer ser atendido antes de quem já estava a espera.

 E quando chega sua vez, não pesquisou no catálogo, “porque tinha muita gente lá…” e diz “prometeu acorrentado” do Esquilo, não do esquilo, você ensina a fazer a pesquisa, e na verdade, acaba por fazer a pesquisa por ele.

875-12 E77e.

Ele vai até a estante...

Volta…

Não achou: “Será que tem esse livro mesmo” Mesmo você tendo avisado que haviam 6 exemplares disponíveis.

Passo seguinte, vou até a estante com ela. “_Mas esses aqui são o 875, é aqui!”

*Suspiro mental. “_Sim, mas não tem o complemento, traço 22.”


Separo a obra, entrego na mão.

_Ah, mas não é esse aqui não! esse é: Prometeu Acorrentado, Ájax, Alceste…

*Suspiro mental n.012

_Sim!!! Ele traz as três obras, uma delas é o Prometeu acorrentado! Você não precisa ler as outras, se não quiser.

_Ah, faz assim. Pode voltar pra lá, que eu vou ligar pra professora eu fico aqui, aí eu resolvo…

Ainda bem que quando foi pegar o livro emprestado, eu estava a atender um outro aluno e uma colega a atendeu.


Ai, *suspiro real... Orai por nós pecadores!”



quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Umas palavrinhas sobre exclusão de perfis




Quando deleta-se uma conta, numa rede social, é como que se fizesse um suicídio diante do grupo de pessoas que o seguem, que acompanham (ou muitas vezes não, apenas ocupam ali um espaço com uma pequena fotografia a fim de lembrar aos outros sua existência), o seu dia-a-dia, suas fotos, sua pretensa vida social e ativa, seus pensamentos, gostos, critérios, martírios e enfados cotidianos.

A exclusão dessa página é como se dissesse a eles: não aguento mais, nem a mim, e nem a vocês, e é por isso que vou-me embora. Não seria talvez para Pasárgada, pois lá até o rei já deve ter sido destronado e nem sequer se dava a conhecer, quanto mais a ter grandes amizades.

 Ao sair, sempre se lembra de quem antes abandonou a rede, como no “corvo” de Allan Poe “outros amigos voaram antes e não voltaram jamais”.

Muitas vezes, a maioria das saídas é só por um tempo. Muitas vezes excluem-se apenas as páginas falsas, que fazemos para diversão ou para o que não temos coragem de dizer sem máscaras, ou que conforme vamos dizendo sem as tais, essas já não fazem sentido, e então mata-se o heterônimo. Aí então seria o assassinato de uma persona latente dentro de nós? Não, não chegamos às faces de Eva nem à genialidade de Pessoa, mas sim, a cada ambiente, a cada espaço, somos um, temos um id e um superego sempre em guerra, e a cada vez um marcha à frente, por isso vários somos, nem sempre gostamos desses que nos formam e por eles também somos tomados, a poesia bela que escrevemos ou a rispidez que enrijece os músculos da face. E ultimamente o “livro de faces” é grande fomentador dessas nuances, por isso o suicídio (ainda que aí possa ser temporário) das nossas personalidades sociais. Na “rede”, muitas vezes sente-se enredado.