Esta semana no blog Diário de Myrna*, o tópico fala de segurança. E o tema me trouxe várias elucubrações... Resgatou pensamentos que eu já tinha remoído diversas vezes, talvez sem nunca digerir por completo.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, as três primeiras definições desta palavra são: s.f. (1391) 1 ação ou efeito de tornar(-se) seguro; estabilidade, firmeza 2 estado, qualidade ou condição de quem ou do que está livre de perigos, incertezas, assegurado de danos e riscos eventuais; situação em que nada há a temer 3 condição ou caráter do que é firme, seguro, sólido, ou daquele com quem se pode contar ou em quem se pode confiar.
Segurança? Quem a tem? Quem realmente sente-se seguro?
Recordo que quando criança, quando discordava de meus pais, sempre bradava, ora em voz alta, ora em voz íntima: “_Quando eu fizer 15 anos vou fugir de casa.” Bem, chegaram os quinze anos... E que aconteceu? Nada!
A segurança que eu imaginava obter como um passe de mágica, por ter completado a idade que tinha eleito para tal, não surgiu. Bem, vamos aos dezoito, logo substitui a idade cabalística... Nada de novo... 20...? Tampouco...
Hoje não espero mais, a segurança, o virar adulto, sei bem nunca virá com a idade, é preciso lapidar-se, sofrer, quebrar a cara, uma, duas, duzentas vezes... Óbvio que a independência econômica, o “ter algo de seu”, representado na maioria das vezes com um imóvel e um emprego estável, irão deixar-nos em um estado mais confortável. Mas segurança? Como? Porque? E os nossos medos, fundamentais? Os nossos receios primordiais? Aqueles que começam com o medo do escuro e passam pelo medo da solidão, de morrer, de não conseguir um emprego, de encontrar com a ex, de perder amizades, de frustrar pais e amigos, de ser maltratado, de morrer... E acaba com o medo do escuro, quando fecharmos os olhos pela derradeira vez.
Tem pessoas que realmente tem, ou ao menos,demonstram ter segurança. Em seus atos, na forma como decidem as coisas, com calma e serenidade. Elas existem, não digitando essas palavras, mas existem. Creio que foram as que receberam treinamento desde crianças, aprenderam a comandar, a dissimular sentimentos, a agir firmemente seja qual for a situação. E estas são pouquíssimas.
Conheço uma delas, a qual eu dizia sempre, parafraseando a citação bíblica, que o lema era:”Caiam mil a minha direita, e dez mil a minha esquerda, não moverei um músculo do rosto”. Um dia a idade chegou também para ela, com isso a debilidade da saúde, e como não bastasse o emprego sem esforço começou a perigar... O sorriso não se abalou, mas o corpo mirrou, somatizou e num passe de mágica (talvez a mesma mágica que eu esperava aos 15), envelheceu.
Onde estaria então toda a segurança que demonstrou sempre? Ela existia ou era uma máscara externa que ficou folgada e caiu?
Bem, o tema suscita hordas de reflexões que talvez em uma discussão à mesa de bar trouxesse risos frouxos e revoltas que enrugam testas, mas o que acredito é que nunca nos sentiremos realmente seguros, faz parte da nossa “humanidade”, e a pior forma de tentar adquiri-la é buscando-a nos outros. Uma vez ouvi de Marfisía, grande amiga: “Podem te tirar tudo, menos a experiência”. Acho que é por aí. Experimentando, ora a acertar e em outras a errar feio, mas adquirindo conhecimento, experiência a respeito de cada circunstância é que poderemos sentir um pouquinho de conforto.
*http://myrnagioconda.blogspot.com