Não é neblina
Nem opacidade
de catarata
É fumaça, fuligem
e poeira diversa
Que tudo
embaça
Monstros de
metal
De formas
variadas
Tantas e tais,
mas não os consegue tornar belos
Vomitam
monóxido de carbono pelas vias já escuras
De tanto cuspe
e vômito, de gente, de máquina
Mesmo as
árvores estão cinza
O rio é
necrosado
Mas insiste em
correr
Moroso, denso,
escuro.
Não é mais
vida, é veneno
Automóveis não
param
Pra cá, pra
lá...
Buzinas,
freadas bruscas, estouro de escapamento
Espalham
fumaça, mau gosto, pretensão
Prepotência e
o orgulho de quem só tem pra se orgulhar
A posse
Os pássaros
que persistem
Estão
pestilentos
Pombos
putrefatos
Garças
enlameadas
Não encantam,
afastam
São essas as aves
que aqui gorjeiam
E acham normal
Até quando?
Até quanto?
Até que ponto?
Tudo tornou-se
banal
Pronto
Mais carro
Mais gente
Mais caro
Mais concreto
Mais deserto
Mais
detergente
Há vida?
É vida?
Se evita?
Foto: Fábio Mocci - Centro de São Paulo
