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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Cinza



Não é neblina
Nem opacidade de catarata
É fumaça, fuligem e poeira diversa
Que tudo embaça

Monstros de metal
De formas variadas
Tantas e tais, mas não os consegue tornar belos
Vomitam monóxido de carbono pelas vias já escuras
De tanto cuspe e vômito, de gente, de máquina

Mesmo as árvores estão cinza
O rio é necrosado
Mas insiste em correr
Moroso, denso, escuro.
Não é mais vida, é veneno

Automóveis não param
Pra cá, pra lá...
Buzinas, freadas bruscas, estouro de escapamento
Espalham fumaça, mau gosto, pretensão
Prepotência e o orgulho de quem só tem pra se orgulhar
A posse

Os pássaros que persistem
Estão pestilentos
Pombos putrefatos
Garças enlameadas
Não encantam, afastam
São essas as aves que aqui gorjeiam

E acham normal
Até quando?
Até quanto?
Até que ponto?
Tudo tornou-se banal
Pronto

Mais carro
Mais gente
Mais caro
Mais concreto
Mais deserto
Mais detergente

Há vida?
É vida?
Se evita?


Foto: Fábio Mocci - Centro de São Paulo