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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Viva Santo Antônio!

Imagem de Santo Antonio
Adquirida em Lisboa


13 de junho, dia do aniversário de Graciele, com quem não consigo mais falar, e... Dia de Santo Antônio; sempre que pude fiz fogueiras nesse dia e nos dos outros santos juninos (João e Pedro), e em outros dias, tivessem eles santos ou não. Aqui mesmo no blog já falei sobre fogueiras, mas... Hoje é dia de santo Antônio. Ano passado em Lisboa, me deparo com a igreja dele, segundo consta erigida no local onde foi a casa em que nasceu e morou. Assisti ali a uma missa e emocionado comunguei.

Bem, não é segredo que acredito em tudo, Deus e santos, e outros gênios, cristãos ou pagãos, já que para os cristãos tudo além do Cristo e seus mártires e santos é pagão. E mais abrangente, creio no Deus cristão e nos demais deuses também, Krsna, Orixás, e nem deveria, mas acredito (embora bem menos, mas mais do que deveria) nos homens também. Conheço ateus, agnósticos e fiéis de todas as vertentes, até um ateu devoto de S. Judas Tadeu e Nossa Senhora Aparecida.

Faço diferente da maioria ao comungar que, ao tomar a hóstia, já se acreditam puros e sem pecado, por terem se confessado e recitado fórmulas repetidas por séculos e “seculorum” mas enfim, quando resolvo fazê-lo, é porque estou tomado de certa emoção de embevecimento, de fé (se a isso se pode chamar assim) e aí sim, entro na fila e tomo a hóstia, preferencialmente das mãos de quem a distribui, que prefiro seja o próprio sacerdote vestido com todos os seus paramentos. A tomo porém no sentido de a partir dali me tornar melhor de alguma forma. Da mesma forma que tomaria um passe, água fluidificada ou benzida, ou doces de Cosme e Damião, ou “prachada”. Afinal, se tudo está imbuído de bons fluídos, de amor, tudo há de fazer o bem, e se o objetivo também é o de tornar-se melhor, nada vai fazer mal; é o que acredito a despeito do que achem outras crenças e seus representantes, sobretudo os mais cheios de certeza e conhecedores de seus livros de leis. Até porque muita gente os lê, decora e segue fazendo sacanagens e escrotidões às baciadas é fato, o vejo diariamente, gente que puxa tapetes e faz trapaças enquanto cita versículos sem sequer ruborizar.

Mas... É dia de Santo Antonio, então viva o santo do dia! Faço gosto que suas simpatias e tradições se mantenham, simpatias de moças casadouras, como as da faca na bananeira, do pingo de vela na bacia d’água, ou o amarrar seguido de afogamento da imagem do santo de ponta-cabeça. Que fogueiras ardam iluminando céus e aquecendo românticos, sou a favor de tradições, mais por achá-las belas e romanceadas do que por crer de fato em seus ritos, o que creio, creio eu e pronto. O que acho belo, é belo a meus olhos e se outros não o acham, paciência, certos círculos de visão só veem mesmo o material, então, lamentemos sua miopia. 

Nessa época dá-me saudade do Nordeste e de Minas Gerais, de procissões, e crendices, das abóboras, batatas doce, bananas, carnes assadas na fogueira e dos quitutes juninos. Me dá saudade de Ubatuba, onde sendo S. Pedro padroeiro dos pescadores, estes fazem festa a ele coincidindo com a pesca da tainha, que no princípio era preparada e assada por suas esposas na Ilha dos Pescadores, e servida recheada e assada na brasa, por preço vergonhosamente barato. Dá-me saudades dos pinhões que Rafael me trazia de seu sítio em Cunha, e a lembrança que eles também existem no sítio de Ana Angélica em Curitiba, então que o Santo do dia me propicie logo a ter o meu, pois faço parte do movimento dos sem sítio. Prometo fogueiras a ele.

De mais, viva Santo Antonio, Viva São João, viva São Pedro!