| Imagem de Santo Antonio Adquirida em Lisboa |
13 de junho, dia do aniversário de Graciele, com quem não consigo mais falar, e... Dia de Santo Antônio; sempre que pude fiz fogueiras nesse dia e nos dos outros santos juninos (João e Pedro), e em outros dias, tivessem eles santos ou não. Aqui mesmo no blog já falei sobre fogueiras, mas... Hoje é dia de santo Antônio. Ano passado em Lisboa, me deparo com a igreja dele, segundo consta erigida no local onde foi a casa em que nasceu e morou. Assisti ali a uma missa e emocionado comunguei.
Bem, não é segredo que acredito em tudo, Deus e santos, e outros gênios, cristãos ou pagãos, já que para os cristãos tudo além do Cristo e seus mártires e santos é pagão. E mais abrangente, creio no Deus cristão e nos demais deuses também, Krsna, Orixás, e nem deveria, mas acredito (embora bem menos, mas mais do que deveria) nos homens também. Conheço ateus, agnósticos e fiéis de todas as vertentes, até um ateu devoto de S. Judas Tadeu e Nossa Senhora Aparecida.
Faço diferente da maioria ao comungar que, ao tomar a hóstia, já se acreditam puros e sem pecado, por terem se confessado e recitado fórmulas repetidas por séculos e “seculorum” mas enfim, quando resolvo fazê-lo, é porque estou tomado de certa emoção de embevecimento, de fé (se a isso se pode chamar assim) e aí sim, entro na fila e tomo a hóstia, preferencialmente das mãos de quem a distribui, que prefiro seja o próprio sacerdote vestido com todos os seus paramentos. A tomo porém no sentido de a partir dali me tornar melhor de alguma forma. Da mesma forma que tomaria um passe, água fluidificada ou benzida, ou doces de Cosme e Damião, ou “prachada”. Afinal, se tudo está imbuído de bons fluídos, de amor, tudo há de fazer o bem, e se o objetivo também é o de tornar-se melhor, nada vai fazer mal; é o que acredito a despeito do que achem outras crenças e seus representantes, sobretudo os mais cheios de certeza e conhecedores de seus livros de leis. Até porque muita gente os lê, decora e segue fazendo sacanagens e escrotidões às baciadas é fato, o vejo diariamente, gente que puxa tapetes e faz trapaças enquanto cita versículos sem sequer ruborizar.
Mas... É dia de Santo Antonio, então viva o santo do dia! Faço gosto que suas simpatias e tradições se mantenham, simpatias de moças casadouras, como as da faca na bananeira, do pingo de vela na bacia d’água, ou o amarrar seguido de afogamento da imagem do santo de ponta-cabeça. Que fogueiras ardam iluminando céus e aquecendo românticos, sou a favor de tradições, mais por achá-las belas e romanceadas do que por crer de fato em seus ritos, o que creio, creio eu e pronto. O que acho belo, é belo a meus olhos e se outros não o acham, paciência, certos círculos de visão só veem mesmo o material, então, lamentemos sua miopia.
Nessa época dá-me saudade do Nordeste e de Minas Gerais, de procissões, e crendices, das abóboras, batatas doce, bananas, carnes assadas na fogueira e dos quitutes juninos. Me dá saudade de Ubatuba, onde sendo S. Pedro padroeiro dos pescadores, estes fazem festa a ele coincidindo com a pesca da tainha, que no princípio era preparada e assada por suas esposas na Ilha dos Pescadores, e servida recheada e assada na brasa, por preço vergonhosamente barato. Dá-me saudades dos pinhões que Rafael me trazia de seu sítio em Cunha, e a lembrança que eles também existem no sítio de Ana Angélica em Curitiba, então que o Santo do dia me propicie logo a ter o meu, pois faço parte do movimento dos sem sítio. Prometo fogueiras a ele.
De mais, viva Santo Antonio, Viva São João, viva São Pedro!