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sábado, 7 de fevereiro de 2015

O equilibrista

Olho à direita:
Privatiza, elitiza, estigmatiza
Polícia, porrada, porrete, pelegos, pedintes


Mais à direita:
Taxa, carimba e exclui, martiriza
É pecado, pouca-vergonha, coisa do demo
Tá amarrado, exorcizado
E tudo em nome d´Ele, pobre coitado

Olho à esquerda:
Mas como assim?
Se alinharam à direita
Alguns mais que outros
Originais? Marginais!
Excludentes, prepotentes, canibais

Para onde ir?
Fecho os olhos e sigo em frente
Na corda bamba…
“Tu num bambeia caboclo, tu não bambeia…”




Foto: Djair - As próprias pegadas, praia de Camburi - Vitória - ES;

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A morbidez do viver


Alguns nascem fazendeiros, donos de muitas terras. Outros nascem para ser enterrados em covas rasas, de terra seca, onde não brotará uma flor. Onde mal apodrecem são despejados para dar lugar a outro miserável, defunto de mais fresca data. Já os primeiros, habitarão mausoléus em mármore e granito, com vasos e anjos de bronze, e por fim... Apodrecerão do mesmo jeito.
Uns viajam o mundo, relaxando nos confortos da primeira classe, enquanto tantos vivem em sarjetas e marquises disputadas os  palmos, a tapas...
Uns fumam havanas e cachimbos esculpidos em madeiras nobres, outros catam bitucas de cigarro às beiras das calçadas e fumam crack em latas de alumínio idem.
Uns sonham com grifes finas e enormes brilhantes, luxos que enchem os olhos, outros com um bom bife e um refrigerante, luxos que enchem barriga.
Perdulários e pedintes, Pin-ups e Piriguetes, o podre de rico e o que apodrece. Sem sonhos, sem justiça, sem chance.


Foto - Djair - Ruínas de templo romano em Évora - Portugal.