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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Os 04 anos do blogue...


Ao completar 04 anos, o blog passa por mudanças. Afinal, as mídias evoluem, e hoje as fans page são a mídia do momento. Como as cartas deram lugar aos telefonemas e e-mails, os blogues aos poucos também vão sendo substituídos. Ao conversar com Raul Rokicki, amigo e publicitário, ficou resolvido que o blogue migrará para esta nova mídia, sim, mas como nem todo mundo tem rede social, então pelo menos por hora os textos serão publicados em ambos, por um período experimental. 

A desativação do formato pode se dar ou não, a ideia é que neste período o formato blog receba os links para os textos na fan page e não o inverso, como se deu até o momento. Assim, os textos antigos também serão migrados gradualmente.

Espero que a mudança agrade a gregos e baianos.


Foto: Marcus Chiado - lançamento do livro: Prajalpas, Renhenhéns e outras estórias: as mulheres

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Metamorfose



              Já não sou mais quem eu era.

            Também não sou o que queria ser. E ser metamorfose ambulante não é questão de preferir ou escolher, é de viver, de sobreviver.
            Além do estar, o ser. Sem essa de to be, que o ser é muito  mais profundo que estar. Oras, independente de onde se 'está', o que se é, é ainda maior, e embora o fato de 'estar' interfira metamorfoseando o ser, ele 'é'.
            A vontade de ser outro, o torna um outro que não aquele que gostaria de ser, e um outro diferente daquele que era – muito além de “O capital” ou “as obras completas de Freud” o possam transformar. As expectativas, correspondidas ou frustradas, os lugares, as pessoas, os signos redescobertos, redefinidos, redesenhados, alinhavam pareceres claros e obscuros e abrem a mente, encerram visões açucaradas e freios repressores. A lagarta só tece o casulo para metamorfosear-se, e dali o que sairá, tanto faz se mariposa ou borboleta, já não é lagarta.

           É a barata de Kafka?
           É a Mosca?
           E se é a mosca, ela pousará na sua sopa?

           Ou você a espanta?
           Ou você se espanta?
           O que te causa espanto? A mosca, ou o medo de ser mosca? 


Foto: Djair - Flor (já murcha) de Papo de peru ( Aristolochia Gigantea).


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Arrastando móveis

Sempre digo que têm coisas que só saem no suor. Mágoas, raivas contidas, desesperanças, cansaço mental...


Fim de ano, tempo feio, vontade de perpetuar feriados, desejo de vida nova. Nem sempre dá pra mudar as coisas, mas os móveis da sala, ou do quarto, cozinha que seja, sempre é possível. Sempre gostei de fazê-lo, já que mudar de casa é mais caro, complicado, trabalhoso.
Lembro que, ao final nos anos 1980, tinha um grupo de amigos, que sempre ia em casa, bebíamos vinho, conversávamos coisas sérias e prajalpas, ouvíamos música. Em uma destas visitas Marco, que fazia parte do pequeno grupo, comentou: “Nossa! É a primeira vez que venho aqui e os móveis não mudaram de lugar.” Ao que retruquei: “Não, é que faz tempo que não vens, os móveis já giraram 360 graus e pararam no lugar onde estavam a última vez!”

E era verdade!

Penúltimo dia do ano, resolvi mudar a sala, seguindo conselho da editora de interiores do Estadão*, Maria Eunice Fernandes. Tirei todos os móveis e quadros e recomecei sem nada na sala. O resultado, se não foi perfeito, chegou emparelhado. Tenho um móvel, herdado do Nato e da Cristina - um bufê, que nem lembro mais porque chamo de bode, em referência à velha história do bode na sala. Pesadíssimo, de madeira maciça, do qual teria sido mais fácil tirar as gavetas antes de percorrer a sala de um extremo ao outro, mas... Tirar e colocar gavetas, quem tem paciência pra isto? E aí, afastem-se sofás, potes de cerâmica, cristaleira, móvel de Cd´s, mesas de centro e canto, vaso disto e daquilo outro, mantenho os enfeites natalinos ou é melhor já bani-los, já que o aniversário do Cristo passou e faltam tão poucos dias pra desmontar? Bem, se a iluminação do jardim fica, os enfeites também, presépio, árvore, enfeites de porta, etc, etc...
Cerâmicas foram retiradas (aos montes) e algumas, depois dos ajustes, foram guardadas. Talvez precise repensar essa fixação por cerâmicas, mas estando em Diamantina, ou São João Del Rey, Bonito ou Teresina e Alcântara, quem haverá de resistir? Eu sei quem não resiste... 

Quadros mudaram de parede, plantas voltaram a postos ocupados anteriormente (como o pacová, ai de mim se o mudar de lugar, porque a adaptação dele à sala é tão perfeita, que temo pela mudança de iluminação), ou não, tapetes foram trocados de lado. Troca-se a cortina e voilá, tudo está como devia estar. Incrivelmente, com toda essa minha delicadeza de hipopótamo bêbado quebrei apenas um pires. Aleluia!

Mas o melhor de tudo é a sensação de casa nova, e as coisas que saem no suor no decorrer da mudança. Casa renovada, espírito renovado.
* O Estado de São Paulo, caderno Casa &, Domigo, 27 de Dezembro de 2009, p.04
Fotos: Djair
Cerâmicas: Vaso - Bonito - MS, Flores - S. João del Rey - MG, Bonecas - Diamantina - MG
Quadro: Óleo sobre tela, Lavadeira - Eduardo Piantino