É estranho o comportamento quanto ao blog; algumas vezes vem uma enorme inspiração e o s textos fluem naturalmente, fartos e caudalosos, de boa cepa, risíveis, trágicos, mal-humorados, e como vêm fácil e em profusão ficam alguns a esperar a semana seguinte para serem publicados, mas em algumas destas quintas, ao relê-los, a graça que pareciam ter, no momento em que o preto ganhou espaço no branco da tela, foi não sei pra onde e o “del” surge e apaga tudo. A luz no fundo da tela o engole, as letrinhas que formam palavras e frases, parágrafos e páginas cheias vão para o lixo... Outros tantos textos vão ao ar, e alguns, pelos comentários que suscitam, pode-se dizer que fazem certo sucesso...
Estranho também as reações a eles, alguns que escrevo sem esperar nada por eles despertam comentários profundos, evocam lembranças, e as colocações sobre eles se sucedem umas a outras, e então, outros dos quais gosto, de escrever e do resultado final, nem uma linha... Claro, ele estava dentro de mim e as lembranças que suscitam só a quem as viveu podem causar impressões. Mas também há os comentários gentis, de amigos que os fazem apenas para me fazer feliz. Assim como há aqueles que a qualquer comentário negativo meu, sobre algo que não concordem, param de comentar, de ler e mesmo de seguir o blog. Claro, a finalidade destes últimos, que saem mesmo do perfil, não é outra senão a de mostrar sua insatisfação mandando esse tipo de recado: “Ah, é? Então não sigo mais teu blog!” Paciência, se deixa de seguir é porque realmente nada ali o enriquecia, nada ali o fazia sorrir, nada ali valia a pena, e então... Por que continuar, não é mesmo? Vá com Deus. E tem a antítese destes, os que sei que seguem, que visitam semanalmente, e às vezes até perguntam em alguma quinta em que o texto utiliza o metrô paulista (ou seja, chega atrasado): “Ué, cadê o texto de hoje?”
E por falar nisso algumas pessoas, de algumas comunidades, de blogs inclusive, mandam recados: siga meu blog que sigo o teu, terei o maior prazer em retribuir... Bem, não quero que sigam porque sigo o seu, até porque só seguirei se tiver algo a ver com o que gosto, acredito, simpatize, ou de alguma forma ache interessante... Já dizia Fernando Pessoa: “Sou rei absoluto da minha simpatia, basta que ela exista para que tenha razão de ser.” E não para ter mais um seguidor.
Os dois últimos textos foram escritos atendendo pedidos, o que os tornam fáceis de escrever, e aliás, o último, escrito a pedido do Rafinha, que conhecia o “causo” de eu contar, por obra e graça do Windows, foi ao ar, faltando dois parágrafos, mas ele, leitor atento, alertou-me, está faltando uma parte, está faltando uma parte, e eu, como mula teimosa que empaca, não, não está (oras, haveria ele de saber mais sobre o caso que vivi?). Bem, tanto insistiu que por fim fui olhar e... Faltava mesmo... fui consertar e fazer o “mea culpa”. Enfim, embora ainda esteja a dever um texto também pedido (da Cláudia sobre coxinhas), hoje não foi dia dele, aliás, ontem, que hoje já é sexta e o texto continua atrasado, e desde lá, uma preguiça inenarrável (embora ainda vá narrar qualquer dia destes sobre este pecado cada vez mais capital, no sentido aí de central, de disseminador). E então lá vim eu escrever sobre o próprio blog, sobre as impressões que ele me causa. Sérgio postou hoje no Facebook que escrever era uma forma de liberdade, de facto, é essa a sensação muitas vezes experimentada, até porque a mais das vezes me expresso melhor pela escrita, tímido que sou, embora a afirmação cause protestos (eu disfarço bem em algumas situações). E talvez seja por isso que escreva para me sentir livre, ou justamente, pelo que acabei de dizer após a frase citada, por me expressar melhor assim. O que não quer dizer que seja real, e nem que me entendam, é apenas a impressão que tenho sobre mim mesmo e sobre o que escrevo. Como Nelson Gonçalves que, gago, uma vez ao repórter que lhe perguntava: “Você tem dificuldade de se expressar?”, respondeu: “eu não. Os outros é que tem dificuldade de me entender.”