O culto à celebridade hoje é tão vulgar que não se restringe
apenas àqueles que aparecem nas grandes mídias. Atualmente, em linhas gerais,
existem milhares de pessoas que prestam culto àqueles que lhe estão mais
próximos, na forma de querer mostrar ter alguma relação com eles. E por que?
Porque, pelo cargo que ocupam em seus empregos, na sociedade ou em pequenos
círculos, mostram certa projeção de destaque. E ai vem o culto a eles por parte
dos demais, na forma do “Eu conheço Fulano!”, “Beltrano é meu amigo!!”, “já
trabalhei com Sicrano!!!”, “Mané Abano estava no mesmo bar que eu!!!...” E por
ai vai... “Estudei com a vizinha do cunhado, da minha prima segunda, que é meia
irmã, da mulher do...” Ai de nós...
Já que não se conhecem as grandes musas midiáticas, transporta-se isso para seus pequenos
universos. A “onda” não é nova, vem de longe, daí tantos almoços aos párocos,
às nossas pequenas autoridades de cada dia, que vêm já dos tempos em que padres
eram recebidos com banquetes pelos coronéis e com a galinhazinha menos magra do
quintal dos pobres, engordando a classe eclesiástica, ainda hoje farta em
almoços e jantares em casa alheia. Assim como os políticos recebidos com
esperanças de favores ou que seus fachos de luz atinjam o anfitrião e o faça
também brilhar perante seus próximos.
Afinal a coisa funciona mais ou menos assim: “Fulano é legal”, ele é meu amigo, logo sou
legal! “Fulano é inteligente...” e por ai vai... Nem sempre a qualidade do
homenageado é lá essas coisas, mas a necessidade de estar junto a essas
pequenas celebridades, tornam o fã (que nem se percebe como tal)um formador
de opinião, uma pessoa expressiva; na
maioria das vezes ele não traz luz, sabedoria alguma, teve apenas a sorte e
alguma habilidade (sabe-se Deus qual) para chegar e se manter num cargo que o
destaque. Em outros casos foi apenas agraciado com beleza física, ainda mais
nesses tempos nebulosos onde bundas, peitos/peitorais têm o dom de se
destacarem mais que ideias, ou índoles. E tome coreografias e gestos e
roupagens a serem copiadas sem cansar neurônios. Como já disse alguém...
Quem? Oras,
o fulano! Ah, esse eu conheço!!!