Na infância colecionava figurinhas em álbuns, personagens Disney, jogadores das seleções, e por aí ia... Marcas famosas de refrigerantes lançavam bingos com cartelas com cara de jogadores que iam às tampinhas enfeitar. Aliás, também colecionei tampinhas. Bem, vieram os cartões postais, ainda tenho a maioria deles, começaram com os do Japão que ganhei de meu tio Lourival.
Depois vieram selos, que me acompanharam até a idade adulta, e quando deixei a casa de minha mãe lá ficaram, até que a concubina de meu irmão, se achando no direito, e por omissão materna, jogou fora os cinco álbuns, o que só vim saber tempos depois. Quando de nada adiantava saber. E muitos outros, quase que do Brasil inteiro. Lugares que vim a conhecer depois, outros que ainda pretendo visitar e tantos, que nunca poderei pisar.
Com o avanço tecnológico as fichas caíram. Sim, caíram em desuso. E vieram os cartões telefônicos, antes que chegasse o advento do celular e a privatização das teles. Pois depois disto passou-se a não se investir em telefonia pública. E antes dos cartões serem abandonados por falta de uso, as sessões de telecartofilia foram fechadas pelas empresas que compraram as companhias estaduais que as mantinham e disputavam entre si quem editava os mais belos. Eram séries às dúzias, Museus - que acabou em várias sub-séries com reproduções de acervos de muitos museus brasileiros, flores - que também se subdividiu em flores do cerrado, da mata atlântica e por ai vai... Fontes, e tantas e tantas outras belezas. Depois, viraram apenas propaganda das próprias teles e perdeu-se o interesse.
Décio tem dúzias de gavetas repletas de CDs de música, é o que mais compra, coleciona, sabe onde está cada um, pois às centenas é fácil perder-se. Segundo ele próprio, ele é bem miserável e só gasta com CDs. Fiquei a pensar se havia algo que eu gostasse tanto... Achei que não tinha, até que um dia resolvi fazer um censo das plantas que tinha em casa, o número era bem maior do que eu pensava. A mania de recolher os vasos que se jogam fora, com as plantas ainda vivas, às vezes só precisando de um pouco de água, as faz aumentar, e embora esteja em processo de redução, doando vasos com espécies repetidas, mudas e fazendo podas mais agressivas, continuam bastante numerosas.
Bem, essa característica minha e de tantos, de juntar coisas, é descrita na homeopatia como própria dos indivíduos Sulfurinos (que tem por similimum: Sulphur): “colecionador, na bagunça de sua mesa acha o papel que quiser, perdido em pensamentos intelectuais ou espirituais, contraditoriamente avarento, inclinação mental erudita ou filosófica, é o “filósofo maltrapilho”. Talvez seja por isso essa verve de “juntador”. Enquanto outros simílima trazem como características o desapego a objetos e a extrema organização – de pessoas que dão ótimas empregadas. Mas que provavelmente nunca colecionarão nada.