A bola da vez das reclamações nessa Copa, mais que contra a arrogância de seleções, técnicos e mesmo dos argentinos, tem sido a tal da vuvuzela.
Até o jogador português Cristiano Ronaldo referiu à polémica corneta: "Mas há algum jogador que goste? " Acho que todos ficam irritados.
Blogs, colunas de jornais, comunidades em redes de relacionamentos, todos a criticam...
É óbvia a irritação que causa, mas realmente o problema é só ela? O problema é a má-educação que se alastra como um câncer por todos os lados... Afinal, já não existiam por aqui as terríveis cornetas há mais de década? Só mudou de denominação, agora, pela necessidade de dar um nome ao modismo esparramado pelas redes de TV. É praticamente como o ritmo baiano de música, que permanece praticamente o mesmo e a cada dois verões é noticiado como algo fantástico e ganha novo nome.
No primeiro jogo do Brasil, eis que a neta da vizinha em frente, que por ser criança até se compreende, estava lá com a sua, a infernizar os ouvidos da rua mas, se Deus quiser, há de estar com cãibras nas bochechas (que já não são pequenas), até agora.
Mas já não andamos suficientemente irritados com as buzinas que alguns insistem em tocar como se fosse a Nona Sinfonia de Beethoven? Seja o trânsito ou em frente à própria casa ou a dos outros a fim de que lhe venham abrir as portas? Com efeito, as campainhas parecem ter caído em desuso, porque ninguém mais pode descer do carro e dar dois passos até elas.
O som de CDs dos carros, então, nem se fala. Não importa a hora, se é dia ou noite, seja o negrinho do funk, o pittboy da academia ou a caboclesse dorée abastada que desfila em seus 4x4. Ou ainda os mauricinhos e pats com seus bate-estacas. A necessidade de mostrar a potência do som (será porque falta potência em outro lugar?) é generalizada.
Mas não para por aí o barulho nosso de cada dia...
Em shoppings, metrôs e ruas veem-se jovens e nem tanto, a berrar como se sua vida dependesse dos outros verem o quanto estão felizes, o quanto são espontâneos e alegres... Aliás, por falar em shopping, me é estranho como as pessoas gostam de se acotovelar para comer nas tais praças de alimentação, onde se tem que gritar para ser ouvido pela pessoa que está do outro lado da mesa, pois o alarido estafante é tamanho que quando se percebe se está também a gritar. E assim a elegância vai pelo ralo, como um líquido se arrastando moroso até o esgoto.
Moro próximo ao aeroporto de Congonhas e últimamente por volta das 06:00 tenho ouvido barulhos cada vez maiores e mais estranhos, às vezes até comento que devem estar utilizando carroças aladas, Não é à toa que volta e meia alguma dá problema, mas afinal não fossem elas e a chuva nada cairia mesmo do céu.
E os celulares? Outro dia quase teve briga em uma biblioteca. Um rapaz a tentar trabalhar no laptop o texto de sua tese e uma moçoila a deixar o celular tocar várias vezes em alto e bom Pop (acho que é assim que se chama a atual leva de música estadunidense). Afinal, não se pode atender na primeira chamada, todos tem que compartilhar seu magnânimo gosto musical e ver que vem do celular "dela". Após isto, da-lhe a conversar as asneiras sobre o fulano, mas aí a sicrana disse... E tome-lhe assunto, em agudo altissonante. O rapaz levanta e pede-lhe que fale mais baixo, e ela, por pirraça, jogando o cabelo alisado e louro-cinza-médio-claro, ou outra nuance próxima, capricha ainda mais no agudo e tom. Ele dirige-se à senhora do balcão de atendimento para que interceda, o que só então ela resolve fazer; observando isso, a tal moça rapidamente recolhe caderno e canetas e sai da biblioteca em desabalada carreira, a fim de não ter a atenção chamada por quem deveria inclusive ter podado desde o início dos toques.
Por tudo isso me pergunto... São as vuvuzelas as culpadas ou a falta de educação , tranvestida em necessidades como exibir toques, apertar buzinas e bradar a alegria que apenas ganhou um novo brinquedo?
Ilustração: Imagem da internet:
Ilustração: Imagem da internet:
