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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Prêmio Portugal Telecom de Literatura - 2010

             Falta menos de um mês para a divulgação dos vencedores da primeira fase do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, versão 2010. A lista dos 15 semi-finalistas, assim como do júri intermediário, será divulgada em 15 de maio. O prêmio contempla, nessa versão, livros escritos em língua portuguesa com primeira edição no Brasil entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2009; e com primeira edição no exterior entre 1º de janeiro de 2006 e 31 de dezembro de 2009, desde que tenham a primeira edição no Brasil em 2009. O ISBN – International Standard Book Number - é condição obrigatória.

            As categorias concorrentes são: romance, conto, crônica, poesia, dramaturgia e autobiografia.

            Este ano foi um dos mais difíceis de fazer as escolhas; o nível altíssimo dos concorrentes, dos quais devemos escolher apenas cinco, me fez coçar a cabeça e roer as unhas várias vezes; nomes como Chico Buarque, Agualusa, Moacyr Scliar, Nélida Piñon, Mia Couto, e até Saramago, que já ganhou um Nobel! Mas o prêmio diz respeito à obra inscrita, e não ao conjunto da obra... São tantos, que a extensão ficaria monótona e longa apenas com os nomes laureados, e outros ainda quase desconhecidos, o que não alivia a tarefa, já que se compõem de letras, palavras, frases desconcertantemente deliciosos, e os alça a leitura quase que obrigatória. E ai, fazer o que?

A lista inicial dos que gosto é muito, muito superior aos cinco que devo votar... E como não deixar-me influenciar por obras anteriores de um mesmo autor? Ai de mim.

E a lista de jurados? Outra que não dá menos trabalho... Ídolos, amigos, pessoas que sigo em jornais, blogs e afins...

No fim, ambas as escolhas – Livros e Júri – são feitas, e envio os votos, tento seguir critérios sensatos e não apaixonados, ou de fã, de amigo... Mas fica sempre um travo na boca de ter escolhido este cálice e não aquele, sabendo-os todos tão saborosos. Por outro lado, é isto o que faz com que, mesmo não tendo votado em um determinado livro, ao vê-lo entre os eleitos, sinta-se o mesmo gosto em vê-lo premiado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Três brasileiros levam o sétimo Prêmio Portugal Telecom de Literatura.


"Se somos do tamanho do que vemos, os países são em boa medida do tamanho da sua cultura e do seu alcance no mundo – a cultura literária em língua portuguesa mostra que está mais viva que nunca e que é uma bandeira dos laços que historicamente unem os 250 milhões falantes do português no mundo". - Zeinal Abedin Mohamed Bava - Presidente executivo da Portugal Telecom em discurso na noite da premiação.

Três brasileiros saíram vencedores na sétima edição do prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. A cerimônia de premiação teve lugar no Espaço Fasano, no Itaim-Bibi, em São Paulo, na noite de terça, dia 10 de novembro. Enquanto quase metade do país estava às escuras, a festa de premiação seguiu noite a dentro, em um jantar e degustação de queijos e vinhos. Dos dez livros finalistas ao prêmio, oito romances, um livro de contos e um de poesia concorriam aos prêmios, que contempla três vencedores: R$ 100 mil para o primeiro colocado, R$ 35 mil para o segundo e R$ 15 mil para o terceiro.

Nuno Ramos - Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos -, autor do livro "Ó" (Iluminuras, 289 páginas, R$ 44,00), é o vencedor da edição de 2009 do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. O escritor brasileiro é também artista plástico e já dirigiu três curtas-metragens. Segundo Ramos: “Funciono por hibridismo em tudo o que faço como artista plástico ou escritor. Em 'Ó' o passo inicial era o ensaio. Mas a incapacidade de ficar em um gênero só cria uma certa estranheza, uma incompatibilidade que são interessantes.”

Em conferência de imprensa, Ramos declarou que recebeu o prêmio com surpresa e afirmou que, "com a maior sinceridade, tinha a certeza de que não ia ganhá-lo".

João Gilberto Noll, autor de "Acenos e Afagos" (Record, 208 páginas, R$ 32,00), ficou com segundo lugar. Seu romance é uma epopéia dos sentidos, comandada pela fúria do corpo. É a história de um homem que abandona uma vida monótona para buscar sua verdadeira identidade e suas paixões. Representado por sua editora Luciana Villas-Boas, o autor gaúcho não compareceu à premiação por querer evitar a ansiedade.

Em terceiro lugar, Lourenço Mutarelli, autor de "A Arte de Produzir Causa sem Efeito" (Companhia das Letras, 216 páginas R$ 39,50), , mostra a relação entre pai e filho em uma realidade que se distorce. Mutarelli arrancou risos da platéia com o comentário: “Venho de uma família complicada, mas queria fazer uma ressalva: minha mulher é um anjo.” Como gosta de retratar a família em suas obras, para o autor 80% do que escreve está inspirado na sua infância. Ainda observou: “O mundo está cada vez mais careta. - Toda a hora que vou fumar tenho que ir lá fora. Ainda bem que não vim de minissaia [referência à estudante Geisy Arruda, aluna da UNIBAN, hostilizada por usar um vestido curto na faculdade]. O mundo é estranho. Mas o que acho mais estranho é que o mundo vem aceitando minhas obras" - concluiu.

A entrega de prêmios contou com a presença do secretário municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil, do presidente da Portugal Telecom, Zeinal Bava, o presidente da Portugal Telecom Brasil, Shakhaf Wine, e o vice-presidente da Portugal Telecom Brasil, Abílio Martins.

O Júri final da premiação foi composto por: Antonio Carlos Secchin, Beatriz Resende, Benjamin Abdala Júnior, Leyla Perrone-Moisés, Regina Ziberman e Sérgio Sá, além dos curadores: Flora Sussekind, José Castello, Maria Lúcia Dal Farra e Selma Caetano.

Foto: Nuno Ramos - foto: Djair