É nas
palestras desinteressantes que mais escrevo, nos workshops maçantes e em
reuniões improdutivas, desde claro possa ter à mão papel e caneta, ou um
computador com Word, para dali fugir, muito embora ‘de
corpo presente’.
E assim, nasce
grande parte dos textos postados no blog – por pura fuga ou desinteresse
naquela palestra de título tão pomposo e que não passa de tatibitate e
autopromoção, que é o que mais se veem em encontros e seminários. Este aqui,
por exemplo, começa assim. Enquanto o “presidente da mesa” mostra que, apesar
da coleção de títulos, ele não tem noções básicas de educação (deixando isto
claro para os palestrantes estrangeiros que a compõe e para todo o público que
os assiste), escrevo – melhor que assistir à vergonhosa (mas com títulos) situação.
Mas é assim
que a coisa vai... Os arautos do “fiz isso, fiz aquilo, e fiz também aquilo
outro...” jamais dizem o principal: como tudo foi feito e como chegaram ali;
reina sempre o pronome pessoal, na primeira pessoa do singular, em discursos
que prosseguem com o pê, pê, pé, caixa de fósforo, barra de sabão e toda a
eloquência. Dicas para resoluções de problemas similares? Nem quando forem
abertas as perguntas... , quando só dão: “Veja bem...”, “Hã-ham...” e... “The books on the tablet”, que não estão nem aí. Você não arranca
nada, afinal, se você conseguir fazer igual, como ele poderá vender seus
cursos, palestras, consultoria – é o que deve pensar...
E não se
engane, não te dirão jamais: “consegui porque tenho um contato em tal órgão”,
“porque fulano de tal é meu cunhado, primo, amante, irmão do dono do cachorro
da prima da minha vizinha”... ou um reles: “consegui por sorte!” Logo não
adianta você apresentar mil projetos bem fundamentados e estruturados sem o
fundamento e a estrutura para tal.
Mas esses
encontros têm uma serventia fundamental, que não está dita em seus cartazes nem
faz parte do programa oficial: encontrar amigos e colegas de profissão que de
outra forma, rara e dificilmente encontraríamos. E aí sim, vale a pena,
trocamos informações e dicas preciosas, sobre trabalhos, projetos, problemas
compartilhados que um resolveu de tal forma e o outro conseguiu contornar de um
jeito tal que jamais lhe ocorreria. Partilhamos informações preciosas,
telefones, e-mails e juras e promessas de contatos que não se realizarão pois o
corre-corre do dia a dia fará com que nos esqueçamos delas, antes mesmo de
deixarmos o prédio do evento na correria para pegar ônibus, metrô ou tirar o
carro do estacionamento sem pegar o horário do rodízio.
Ou então é o
sinal de que a próxima palestra vai começar e, como estamos em lugares
diferentes e às vezes distantes, nos despedimos à pressa. E aí recomeça tudo...
e então... Escrevo.
Foto de domínio público na internet.
