Já as dúzias de mangueiras de tia Maída tomam um enorme pedaço de chão na roça do “quebra cangalha” e não posso lembrar dela sem lembrar do padre que ao pedir algumas colocou dois sacos no carro dando voltas que víamos da janela, mas pra finalizar o serviço pegou apenas meio saco e passou mesmo pelo quintal da casa (na fazenda). Escorregou rolando saco, mangas e padre... Tia Maída, com seu sorrisinho malicioso de canto de boca, apenas falou sobre o castigo: “Mas que bobagem, pode pegar à vontade, que as mangas estão a fazer lama, e tem tanta gente na paróquia...”
Lembro das mangas rosa de Dona Caetana, avó da esposa de um primo, de quem eu muito gostava, e ela de mim, tanto que, mesmo em outra cidade, sempre que tinha oportunidade, ela mandava-me sacolas de manga. Quando ia visitá-los é que comíamos com gosto. Chegava às vezes de madrugada das festas, sentávamos eu e minha tia Teresa, na praça em frente a casa e às quatro de “la matina” púnhamo-nos a comer manga rosa...
Aliás mangas rosa me perseguiam. Quando em Recife, as mangas rosa da casa do Terceiro, que morava em Olinda, eram saborosíssimas, e ele como bom amigo sempre me dava aquelas delícias. E lembrando as mangas de sua casa não há como não lembrar que lá também havia pimenta malagueta, e que certa feita um tio dele colheu um pacotinho e o levou no bolso de trás da calça. Contou depois as peripécias de quando se sentou no ônibus que o levaria à casa e as pimentas com a pressão do peso... bem, fizeram sentir seu ardor... e ele sem lembrar a causa do sofrimento tentava se ajeitar na poltrona e mais esmagava, e nisso mais elas ardiam em uma região tão inóspita que mesmo quando “caiu-lhe a ficha” sobre o porque de seu tormento, e tirar dali o saquinho de pimentas, o mal estava feito e o pobre velhinho ficou a arder-se por horas.
Mas voltando às mangas lembro-me do Rogério Magri, ministro do governo Collor, que em uma viagem para reunião da OIT em Genebra na Suiça, faltou à reunião e afirmou que tinha saído para comprar... “Mangas”...
Bem, ela poderia ser a fruta do pecado no lugar da maçã, que é mais seca, e a meu paladar causaria mais tentação. Mas as da casa do Sr. José, pai da Socorro Rocha, eram algumas das mais saborosas que já provei. Tinha espécies que apenas por lá vi, e eles nos mandava aos quilos; aliás tinha uma que chamávamos manga de quilo, devido a sua dimensão e peso. Muitas vezes estive debaixo daqueles pés, enquanto Socorro ou Maria José lavavam roupas com água do poço... Era realmente um pedaço de paraíso aquele quintal.
Na praça atrás da Faculdade de Direito no centro do Recife, existe também dessas mangas enormes (assim como jambos roxos) e é preciso cuidado quando elas estão maduras e a cair. Em um bar que ia muito no Jockey em Teresina, acima das mesas, as mangueiras iam alto e perigosas. Mangas pairavam por sobre nossas cabeças enquanto a cajuína aplacava calor e adoçava boca e espírito. Nunca fui atingido por uma manga, fruta asiática que aqui (em que se plantando tudo dá) plantada se adaptou tão bem que parece nativa. Em boa hora um antigo prefeito de Floriano (Pi) arborizou a cidade com elas. As mangueiras, da família Anacardiaceae, estão por toda cidade, abençoada sejam.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Chupa essa manga
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