Existem
aulas que dão sono, outras, nem sequer isso. Apenas se olha para o
relógio, que durante esse tempo diminui sua marcha. As mentes, essas divagam… Escrevem-se
trabalhos de outras matérias, poesias, fazem-se desenhos,
rabiscam-se letras, símbolos, garatujas as mais diversas,
escrevem-se cartas, fazem contas e listas de compras. Redigem-se até
textos para blogs que tratam de conversas fúteis e mundanas que não
levam a nada.
Há
aulas dadas com paixão e conhecimento, mas nenhuma didática. A
verborragia sem pausas não dá tempo para digerir tanto. Cansa-se de
tanto ouvir, sem que se possa realmente absorver, conflitar,
questionar e gerar seu próprio ponto de vista, ou aceitar aquele
apresentado. E se o aceitamos é mais por cansaço. Talvez um cansaço
daquele mesmo tipo que faz o fiel crer no pastor, sem questionar
posicionamentos, interpretações e dogmas.
Muitas
vezes se detém títulos e conhecimento, mas já dizia Sócrates,
segundo Platão. O mal de alguns homens é justamente o de se
julgarem, que por serem expertos em alguma coisa específica se
acharem conhecedores, sábios e capazes em todas as outras. Ter
conhecimento sobre algo não quer dizer que se saiba transmitir. Ou
pelo menos, não da melhor maneira, da forma a despertar interesse e
fazer o outro querer buscar mais sobre aquilo, apaixonar-se.
Mas
existem aulas de verdade, dadas com paixão e uma tal dinâmica que
faz querer ouvir mais, onde se participa, se discute, discorda-se,
diverte-se; e principalmente se absorve de uma maneira suave,
prazerosa, viciante, tanto e tal que quando acaba, achamos que foi
cedo, que queríamos mais um pouquinho, que aquilo devia ser
discutido em uma mesa de bar, ou na mesa de casa mesmo, as com um
copo de vinho a mesa, beliscando um queijinho, e fazendo o assunto
render e ao esgotar-se já emendar noutro, e em outro, e…
E
por que? Oras porque foi prazeroso ao ponto de a ligarmos com outros
signos de prazer ao qual estamos acostumados. Porque quando há a
pausa habitual, você mal se aguenta para fazer um comentário,
pergunta, ou dizer à que aquilo lhe remeteu. Essas são as melhores,
as que fazem valer a pena, que produzem ideias, geram conhecimento,
que será transmitido depois num bate-papo, numa observação em um
museu, sobre uma obra específica ou uma coleção, num café durante
um bate-papo informal, numa troca de ideias durante um almoço, após
ter sensações diversas ao assistir a um filme. O élan que
nos transporta àquele conhecimento se dará espontâneo, inesperado,
em qualquer lugar, pois já pertence a nossa experiência. São esses
professores que ficarão e serão citados com carinho, com um sorriso
nos olhos, nos lábios, no rosto, sendo lembrados por muito tempo. É
esse conhecimento que ficará e será transmitido, pois é vivo.
Imagem: Sócrates e seus discípulos - Imagem da internet - disponível em: http://www.duniverso.com.br/wp-content/uploads/2016/02/socrates-filosofando-com-seus-discipulos.jpg