Hoje, ganhei um mamão do vizinho do lado direito,
outro dia foram outros três de uma só vez da vizinha do lado esquerdo.
Simplesmente
deliciosos, doces, avermelhados, com a casca lisa. Da casa de Vitória trouxe
alguns que colhemos no nosso pé, os pés daqui ainda não frutificam, e assim,
para o café ou sobremesa do almoço volta e meia temos mamões, essa fruta
tropical tão suculenta, que com combinações de vitamina A e C fortalecem o
sistema imunológico. Bendito seja, Deus salve a América tropical.
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| O Partido, do Vizinho, e o ainda a amadurecer, de casa. |
Quando criança eu não
gostava do fruto, não o comia, salvo em vitaminas onde meu pai colocava mamão,
maçã, banana e um pedaço de beterraba para que ficasse também colorida. Já
agora os adoro, e como começou esse gosto? Graças a Maria José Leandro Dupré e seu
livro: “Na Ilha Perdida”. Foi o primeiro livro que li e que fez-me apaixonar-me
pela leitura, sim, sei que já disse isso várias vezes em outros textos e até em
uma entrevista, mas sempre é bom repetir.
Bem, Henrique na ilha,
perdido na ilha comeu os mamões vermelhos dados por Simão, e os adorou, creio
que tenha uma descrição nele, são 42 anos desde que o li. Pois bem, comentei
com minha mãe se ela os conhecia e comentei da leitura. Pois bem, tchan, tchan,
tchan, tchan... Não tardou que os mamões vermelhos se materializassem na mesa
de casa. Obrigado mãe, obrigado Madame Dupré. Eram os hoje conhecidos como
mamão papaia.
Que cor, que sabor...
E daí para o mamão formosa foi um pulo, e outros mamões, das variadas espécies,
até o de corda, também chamado mamão macho já comi sem depreço algum. Na atual
casa de minha mãe, havia vários pés, e uma produção farta, eram distribuídos a
parentes e vizinhos, e quando levava ao Júnior ele comia junto com a comida, é
muito bom mesmo, tomei-lhe o hábito emprestado.
Mas Madame Dupré
escreveu também: “Cachorrinho samba na montanha” que li anos depois, hoje se
não engano-me o título foi alterado para “A montanha encantada”, e cachorrinho
samba é o nome da série. Pois bem, ali a turma de adolescentes presa numa gruta
numa espécie de gruta aprecia junto aos anões que vivem sob a terra as
iguarias: língua de frangos, e Cristas de galos... Pois bem, não é que passei
incólume pela língua? Mas a crista fui de novo ter com minha mãe, e na primeira
oportunidade, um frango gordo que tínhamos no quintal forneceu sua bela crista
para mim ao almoço. Como diria Fernando: alimentei-me de um dos nossos irmãos
animais...
Pois bem, aí está a
força da literatura na cabeça de um menino de 10 -13 anos, os livros lidos,
naquela linda idade trouxeram-me sabores, experiências e memórias. Tenho pena
de quem perde tanta experiência, tanta riqueza, e até o gosto dos mamões por não gostar de ler.

